Empresas travam investimentos em Goiás devido a debate de incentivos

Projetos anunciados são adiados ou transferidos para outros Estados como reflexo das incertezas quanto aos benefícios fiscais

 

 

 

 

 

 

Alberto Borges, presidente da Caramuru: é preciso haver maior clareza

O debate em torno das mudanças na política de incentivos fiscais e a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para apurar possíveis irregularidades na concessão dos benefícios começa a se refletir nos investimentos previstos no Estado. Alegando insegurança jurídica e incertezas, algumas empresas estão adiando projetos anunciados para Goiás ou transferindo esses investimentos para outros Estados.

No primeiro semestre deste ano, a Usina São Martinho anunciou um investimento de R$ 350 milhões na construção de uma nova usina para produzir 200 mil metros cúbicos de etanol de milho em Quirinópolis. Mas na última terça feira, 12, durante uma teleconferência sobre os resultados da empresa, o diretor financeiro e de relações com investidores do grupo, Felipe Vicchiato, afirmou que a apresentação do projeto de construção de unidade ao conselho da companhia foi postergada do fim deste ano para o primeiro trimestre de 2020.

O motivo seria a discussão sobre mudanças na tributação do biocombustível na Assembleia Legislativa do Estado. Um projeto de lei que tramita na casa acaba com o crédito recebido pelas usinas, de 60% do ICMS recolhido sobre o álcool anidro. Vicchiato diz que aguarda mais clareza, pois não pode levar ao conselho um projeto tão grande sem ter definida uma mudança tributária expressiva, porque não vai passar.

O prefeito de Quirinópolis, Gilmar Alves (MDB), diz que teme o cancelamento do investimento, que vai verticalizar a produção de milho no município e gerar muitos empregos e renda. “Estamos apreensivos porque é um investimento muito alto”, ressalta

Mudança das regras

Recentemente, a indústria Brasilata Embalagens Metálicas, de Rio Verde, transferiu duas de suas linhas de produção para São Paulo, onde está a maioria de seus clientes, depois que Goiás zerou o crédito outorgado que beneficiava a empresa e reduziu o incentivo do Fomentar. Agora, o executivo da empresa, Ângelo Landim, informa que a empresa também transferiu para São Paulo outro investimento de R$ 3 milhões, em duas novas linhas de produção, que estava previsto para Goiás e que geraria mais 30 empregos diretos e 90 indiretos na região.

“Tomamos essa decisão diante da demora do governo estadual para decidir se retoma os créditos outorgados ou adota um novo modelo de incentivos. Há muita incerteza e insegurança jurídica”, destaca. Segundo ele, os equipamentos já estão sendo adquiridos e a empresa tem pressa para atender a demanda de seus clientes já a partir de fevereiro de 2020 e não há mais tempo para esperar um adecisão por parte de Goiás

Um dos fatores que pesaram na mudança foi a possibilidade de postergação do adicional de 15% sobre o Protege. “Essa já era uma despesa que não estava prevista no orçamento. Como investir num cenário de mudança das regras do jogo no meio do caminho?”, questiona.

O presidente da Caramuru, Alberto Borges, diz que a empresa investe R$ 80 milhões por ano no Brasil. Segundo ele, os investimentos que já estão em andamento serão mantidos. Mas o lugar de realização dos futuros investimentos ainda dependerá de uma maior clareza sobre a situação dos incentivos em Goiás. Alberto diz que um dos grandes problemas do setor hoje é a desoneração das exportações de grãos, o que reduz o beneficiamento e atrapalha a geração de emprego e renda no Estado.

Para Edwal Portilho, diretor executivo da Associação Pró Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial), a possibilidade de mudanças nos incentivos prejudica os planos de negócios a longo prazo, por isso muitos investimentos estão parados hoje

 

Fonte: O Popular

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