“Governo vai repensar sobre cortes nos incentivos fiscais”, diz Adib Elias

O município de Catalão vive um momento de incertezas por conta da crise econômica brasileira e pelas mudanças na política de incentivos fiscais do Estado, que impactam na retomada dos investimentos privados. O município se uniu a tantos outros de Goiás para discutir e propor ideias que promovam o reaquecimento econômico.

Na quinta-feira (dia 31) o seminário realizado pelo Movimento em Defesa ao Desenvolvimento e Emprego reuniu no auditório da Associação Comercial e Industrial de Catalão (ACIC) cerca de 170 empresários, lideranças dos trabalhadores, políticos e representantes de instituições de ensino superior. O prefeito Adib Elias garantiu somar forças para reverter, junto ao governador Ronaldo Caiado, a decisão de reduzir incentivos fiscais para investimentos privados.
“Tenho uma história com a indústria, com a nossa cidade e com Goiás. Nós não vamos ser prejudicados, porque nós vamos debater, discutir e dialogar. Tenho certeza absoluta que o governo vai rever esta questão. Vou ser um instrumento de vocês para que nós possamos dar só notícias boas, alegrias e felicidade para nossa gente”, disse Adib Elias, que foi coordenador da campanha de Caiado ao governo em 2018.
Para o secretário de Indústria e Comércio de Catalão, Cairo Batista, a força da união das entidades e dos municípios do Centro-oeste é fundamental neste momento. “Já existe a incerteza econômica, não precisa ter também a incerteza política. Precisa ser firme, para o Estado passar segurança às indústrias e aos trabalhadores”, afirmou.
De acordo com Sindicato Metabase, a Mitsubishi em Catalão é um claro exemplo da importância de garantir a competitividade das empresas em Goiás. A montadora enfrenta momentos difíceis. Nos últimos meses demitiu mais 200 funcionários e a produção teria caído cerca de 30%. Sua capacidade instalada é para produzir 120 mil veículos por ano, mas não chegará a 30 mil unidades em 2019. O presidente da Força Sindical de Goiás, Rodrigo Carvelo, afirmou que dos 4 mil funcionários que a companhia já teve, desde que iniciou suas atividades em Catalão em 1998, hoje tem apenas a metade e todos trabalham com medo da fábrica fechar. “Sem o incentivo fiscal corremos este risco, por isso vamos sacudir o governo para que olhe a situação. A briga pela permanência da nossa indústria será grande”, afirma.
O presidente do Sindicato Metabase (Simecat), Carlos Albino, frisou que um Estado não avança sem investir na indústria. “O governo estadual já retirou R$ 7 milhões por mês em incentivos para a Mitsubishi. É necessário rever isto para que ela volte a ser competitiva no mercado”, enfatiza. O diretor comercial da Mitsubishi no Brasil, Fernando Matarazzo, afirmou  que as montadoras de veículos têm as dificuldades de mercado e precisam procurar mais redução de custos. “Hoje, qualquer diferença leva o consumidor a trocar a marca. Eventualmente, essas mudanças dificultam investimento, aumentam o custo de produção, o nosso produto fica mais caro e fica mais difícil competir e investir. A fábrica é fixada em Catalão, temos de trabalhar para que ela volte a ser competitiva e aumente as suas vendas. Somando forças, vamos movimentar a engrenagem com o comércio, funcionários, instituições de ensino”, afirmou.
Mobilização 
Otávio Lage Filho, presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial), explica que o objetivo da mobilização de empresários e trabalhadores é ajudar a melhorar a competitividade do Estado e fazer a economia crescer. “Temos milhares de indústrias em Goiás que geram empregos e agregam de forma impressionante ao comércio, que cresce e também é altamente gerador de renda. Temos de valorizar isso. Nosso movimento é a favor do progresso, do desenvolvimento, do aumento da renda e dos empregos”, ressaltou. Otávio Lage pontuou que as empresas estão preocupadas, analisando alternativas por causa da atual insegurança jurídica em Goiás. “Os incentivos fiscais são uma política de Estado, não podem ser apenas um instrumento de governo e ficar mudando a cada nova administração”, frisou.
O reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira, reforçou mais uma vez que acredita na importância de ter a academia como voz ativa nessa corrente em prol do Estado. “Estou feliz em estar em Catalão para reforçar nosso papel na formação das pessoas e mostrar que a motivação principal é o fato do movimento não ser partidário, ter atuação pró-desenvolvimento. Falo em nome de todas as instituições de ensino que, além de produzir conhecimento, agregam à sociedade e formam a hélice do desenvolvimento”, disse.
“Nesse momento o protagonismo está com os trabalhadores, a força vem do entendimento de que este é um movimento deles também. É o mais legítimo que vem dessa história dos incentivos”, enfatizou Luís Alberto Pereira, presidente da OCB-GO (Organização das Cooperativas do Brasil). Presidente  da ACIC, César Safatle reforçou a importância da mobilização dos empresários e trabalhadores. “Acredito que somente juntos podemos contribuir para o sucesso dessa iniciativa. Sabemos que o estímulo do poder público faz as empresas se desenvolverem, gerar mais impostos, serviços, empregos, formando um ciclo de prosperidade econômica”, enfatizou.
O seminário em Catalão foi o quinto encontro do Movimento em Defesa ao Desenvolvimento e Empregos realizado nos principais polos industriais de Goiás (Rio Verde, Anápolis, Goianésia e Itumbiara) para o levantamento de propostas que serão reunidas e apresentadas ao governo estadual neste mês, em grande encontro a ser realizado em Goiânia.
Fonte: Jornal A Redação
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