Guedes tenta influenciar reforma

Ministro sinaliza que pode enviar ainda nesta semana a reforma do PIS/Cofins

O ministro da Economia, Paulo Guedes, iniciou uma ofensiva com lideranças do Centrão para
tentar influenciar na reforma tributária, que terá a discussão retomada pela Câmara hoje, com a
volta dos debates numa comissão especial. Guedes sinalizou aos aliados que pode enviar
ainda nesta semana a reforma do PIS/Cofins e que ensaia um discurso para aprovar um
imposto sobre transações financeiras.

O ministro também procurou pessoalmente ontem o presidente da Câmara, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), e conversaram sobre a reforma. O parlamentar ressaltou que continua achando
importante a participação do governo na discussão e espera contar com o apoio. A proposta de
recriação da CPMF ficou de fora do encontro – o presidente da Câmara já disse, reiteradas
vezes, que é contra esse imposto.

No dia anterior, Guedes reuniu-se com os líderes do PP, deputado Arthur Lira (AL), e do PL,
Wellington Roberto (PB), para defender a tese de que é preciso aprovar uma nova contribuição
sobre transações financeiras para gerar recursos para o pagamento do novo programa de
renda mínima que substituirá o auxílio emergencial aos trabalhadores informais e
desempregados.

De acordo com fontes, os parlamentares reforçaram ao ministro o diagnóstico de que há muita
resistência sobre a recriação de um imposto nos moldes da CPMF e destacaram que só
haverá chances de vitória se afastar esse “fantasma”. Eles elogiaram a ideia de construir uma
relação direta entre a criação do imposto e a geração de recursos para viabilizar “o nascimento
de um programa social mais generoso”.

Na ocasião, os líderes teriam afirmado que a vinculação do novo tributo com o programa
poderia diminuir a resistência até mesmo entre parlamentares da oposição. Sem apoio mais
amplo, a base aliada do governo, composta principalmente pelo Centrão e parte do PSL, será
insuficiente para viabilizar a proposta, por contar com cerca de 200 deputados – é necessário o
apoio de 308 dos 513 deputados para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC)

Na reunião, Guedes também pediu que o Centrão ajude o governo a barrar o movimento pela
derrubada do veto do presidente Jair Bolsonaro à prorrogação da desoneração da folha de
pagamento. O ministro demonstrou disposição em judicializar a questão, caso o Congresso
reverta o veto, com o argumento de que a reforma da Previdência proibiu desonerações nas
contribuições que custeiem as aposentadorias do setor privado.
Guedes também tentou convencer Maia a desistir de apoiar a derrubada do veto, mas o
presidente da Câmara disse que continuava a defender a rejeição para preservar empregos na
retomada da economia. Já os líderes do PP e do PL sinalizaram que poderão usar o
argumento da equipe econômica para enfraquecer o movimento pela rejeição do veto
A equipe econômica recebeu com alívio a decisão do presidente do Congresso, Davi
Alcolumbre (DEM-AP), de não pautar o veto para a próxima sessão em que deputados e
senadores analisarão os dispositivos. Eles pretendem ganhar tempo para convencer mais parlamentares a votarem pela manutenção do veto.

Fonte: Valor Econômico

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