Incertezas sobre o clima intensificam disparada de grãos

Tempo prejudicial a lavouras nos EUA e no Brasil acentua altas de milho, soja e trigo em Chicago.

Nos últimos dias, o clima desfavorável para as lavouras de milho dos Estados Unidos e do

Brasil acentuou o quadro de valorização do cereal. As cotações dispararam na bolsa de Chicago

nesta quinta-feira, em um movimento que puxou o forte avanço também de sojae trigo — e que

reiterou as preocupações com a inflação dos alimentos no mundo.

De um lado, a atenção dos investidores volta-se ao andamento do plantio do milho no centro-sul do

Brasil e à falta de chuvas no país, fatores que tendem a reduzir a produção da safrinha. De outro, há

receio com o frio acima do normal no cinturão agrícola dos EUA, que deve diminuir a produtividade

das lavouras americanas em 2021/22.

Sob esse cenário, os operadores de commodities agrícolas foram em massa às compras. Nesta

quinta, os contratos de milho para julho, atualmente os mais negociados, atingiram seu limite de alta

para um só pregão, de US$ 0,25 por bushel — quando as negociações foram interrompidas na bolsa

de Chicago (por volta de 13 horas no Brasil), o avanço era de 4,15% e a cotação, de US$ 6,315 o

bushel. Só nesta semana, os contratos de segunda posição, que estão agora em seu maior patamar

desde maio de 2013, acumulam alta de 10%, segundo cálculos do Valor Data.

Nas negociações de grãos no mercado futuro, há um período do ano em que as previsões

meteorológicas dominam as atenções dos investidores: trata-se do “weather market”, marcado por

forte especulação sobre o desenvolvimento das lavouras americanas. No caso do milho, o “mercado

do clima” costuma se intensificar entre maio e junho, com os preços atingindo suas máximas em

julho.

O weather market amplifica os efeitos da demanda chinesa, que segue firme — como é matéria-

prima para a fabricação de ração animal, o cereal está no centro dos esforços do país para recompor

seu rebanho suíno, dizimado pela peste suína africana, entre 2018 e 2020. Nesta semana, o Serviço

Estrangeiro Agrícola do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) disse que a China deve

importar 15 milhões de toneladas de milho em 2021/22. O volume é menor que o do ciclo anterior,

mas, no mesmo relatório, a projeção para as compras que os chineses devem fazer neste ano subiu

de 24 milhões para 28 milhões de toneladas.

 

No cenário doméstico brasileiro, no início da semana, o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da

Câmara de Comércio Exterior (Camex) anunciou a decisão de zerar a Tarifa Externa Comum (TEC)

para as importações brasileiras de milho e soja. A medida deve ter efeito marginal sobre os

preços dessas commodities, mas não deixa de ser um fator adicional de valorização de ambos os

grãos.

Com a disparada do milho, os contratos da soja para julho subiram 2,35% (34,75 centavos de dólar)

nesta quinta, a US$ 15,1425 por bushel. De acordo com o Valor Data, com alta de 6,4% acumulada

nesta semana, os papéis de segunda posição de entrega da oleaginosa estão agora em seu maior

nível desde abril de 2014.

Os estoques mundiais de soja apertados tendem a deixar os investidores ainda mais suscetíveis ao

risco de problemas climáticos. “Agora que o plantio da safra de verão começou nos Estados Unidos, o

mercado está olhando para o clima”, diz o analista Luiz Fernando Roque, da Safras & Mercado.

“Podemos esperar muita volatilidade daqui para a frente”.

No mercado do trigo, os papéis que vencem em julho, atualmente os mais negociados, avançaram

5,26% (35,5 centavos de dólar) e fecharam a quinta-feira negociados por US$ 7,105 o bushel. Os

contratos de segunda posição do cereal acumulam alta de 8,5% nesta semana, segundo cálculos

do Valor Data.

 

Fonte: Valor Econômico

 

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