Investimentos privados alcançam quase R$20 bi em Goiás em 12 meses

Cálculo da SIC leva em conta projetos aprovados nos programas de incentivo fiscal e financiamentos pelo FCO, além de projetos dos setores de mineração, fármacos e serviços.

A retomada das atividades econômicas, após as restrições para conter o avanço da pandemia, fez empresas retirarem projetos do papel voltarem a investir. A Secretaria da Indústria, Comércio Serviços de Goiás (SIC) estima cerca de R$ 20 bilhões em investimentos no Estado nos últimos 12 meses. O cálculo leva em conta os projetos aprovados nos programas de incentivo fiscal, financiamentos aprovados dentro do FCO, projetos de grande porte dos setores de mineração e fármacos e de vários investimentos feitos pelo setor de serviços.

De 2019 para cá, os programas de incentivo fiscal resultaram em cerca de R$ 2,6 bilhões em investimentos. Outros R$ 2 bilhões em financiamentos do FCO foram liberados para projetos do setor empresarial desde 2020. “Somente o setor de mineração está investindo R$ 4 bilhões em projetos de pequenas, médias e grandes empresas”, informa o secretário de Indústria, Comércio e Serviços, Joel Braga Filho. Ele lembra que também há um grande número de investimentos de grandes redes de bares e restaurantes.

“Também não podemos nos esquecer do agronegócio. Uma prova disso foi o desempenho da Tecnoshow este ano”, destaca. São investimentos bancados por diversas fontes de financiamento, sendo muitos recursos próprios e que não contam com incentivos. Para o secretário, os 110 mil empregos gerados no ano passado e os 49 mil novos postos de trabalho registrados pelo Caged este ano no Estado já são resultado destes investimentos consolidados.

Ele lembra que a SIC é a porta de entrada, o primeiro lugar que as empresas procuram para a prospecção de investimentos, em busca de informações sobre programas de incentivo ou local para instalação. “Quando perguntamos sobre a razão do interesse por Goiás, a resposta é sempre a mesma: a localização centralizada que facilita a logistica. Estamos até mil quilômetros de 65% do PIB mais alto”, destaca joel Braga Outra razão seria o bom ambiente e a estrutura para os negócios os investidores costumam analisar até os indicadores de saúde, educação e segurança do Estado antes da tomada de decisão Goias também teria tido uma recuperação mais rápida dos reflexos da pandemia, por conta da força de seu agronegócio.

O secretário ressalta que muitos investimentos ficaram represados nos últimos dois anos e as facilidades trazidas pelo programa de incentivos ProGoiás, que é desburocratizado, também são om incentivo O programa ainda estaria em fase de adequações, com demandas para mudanças de alguns contos da legislação que tratam, por exemplo, de incentivos para empresas de e-commerce “Com a pandemia, o comércio eletrônico avançou uns 10 anos, o que aumentou a necessidade de alguns mudanças para equiparar nossos incentivos com os de outros estados”, diz.

Ele conta que recebe, todos os dias, a visita de vários grupos de investidores interessados em se instalar em Goiás. Entre os mais recentes, estão multinacionais fabricantes de insumos para embalagens, que utilizam alta tecnologia e devem investir mais de R$ 500 milhões para transferir sua fábrica de São Paulo para cá. A fabricante de produtos Ipê também deve construir um grande centro de distribuição ao lado de sua fábrica em Anápolis, numa ampliação de 100 mil metros de área.

Mas também é grande o número de empresas já instaladas que estão ampliando investimentos, como a gigante Caramuru, em Itumbiara, que investirà R$ 250 milhões numa fábrica de ração para a piscicultura.

Fármacos

O secretário dá o exemplo de grandes projetos do setor farmacéutico. Um deles é o da Geolab, que está investindo mais de R$ 350 milhões numa nova planta em Anápolis Outro investimento de R$ 350 milhões foi o da Vitamedic, do Grupo José Alves, também em Anápolis.

O diretor de vendas e Marketing do Grupo José Alves, Cristiano Araújo Lopes, informa que a nova fábrica inaugurada na cidade abriga todas as linhas de produção de medicamentos liquidos, comprimidos, injetáveis, efervescentes e pomadas, além de toda parte operacional, onde emprega 1300 funcionários. “Esta Indústria conta com o que há de mais moderno em equipamentos para produção de medicamentos e tem previsão de receber mais entre RS 120 milhões e R$ 150 milhões em novos investimentos, conta.

Cristiano Araújo lembra que o grupo, que completa 60 anos este ano, também vai inaugurar uma fábrica de produtos de higiene e limpeza para a casa em Trindade, que já está em fase final de instalação de equipamentos. Segundo ele, o investimento inicial foi de R$ 150 milhões, mas deve chegar aos R$ 300 milhões em breve, com a geração de pelo menos 180 empregos diretos. “Já vamos abrir atendendo os mercados de Goiás, Brasilia, Tocantins e Minas Gerais a partir de setembro”, informa.

Outra empresa do grupo, a Refrescos Bandeirantes, fabricante da marca Coca-Cola, também acaba de investir R$ 120 milhões numa nova linha de produção, única na América Latina, que já formata a garrafa pet retornável e envasa o produto ao mesmo tempo na fábrica de Trindade. Os grandes investimentos privados, que podem levar de dois a três anos para serem concluidos, podem ser acelerados ou desacelerados conforme o cenário econômico, com foco na competitividade.

Mas o presidente executivo da Associação Pro Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial Goias), Edwal Portilho, o Tchequinho, acredita que o número de investimentos no Estado poderia ser bem maior.

Ele alerta que o setor convive com uma situação preocupante: o esforço agressivo de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná para atração de novos investimentos com seus programas de incentivo.

Para Tchequinho, o ProGoiás realmente é mais desburocratizado. Enquanto os outros programas de incentivo eram baseados em financiamento financeiro-fiscal, onde o governo abria mão de uma parte da arrecadação em prol do investimento e da geração de empregos, este novo modelo funciona através da concessão de um porcentual de crédito outorgado sobre o imposto gerado para que a empresa tenha mais competitividade no mercado.

Por isso, é crescente o número de empresas que migram dos programas anteriores para o ProGoiás. Segundo Tchequinho, o governo de Goiás também tem tomado medidas para melhorar o ambiente de negócios e já prepara novas ações para se tornar mais atrativo às empresas O secretário Joel Braga admite que Goiás concorre com outros estados na atração de empresas e, nesse momento, faz um levantamento de todos os incentivos dados pela região fiscal (MS, MT e Dr) onde é possível colar, ou seja, fazer a cópia dos benefícios para ajudar as empresas locais.

Os indicadores mostram que dois tem perdido a corrida para o estado do Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná, que tiveram um incremento bem maior de seus parques industriais, com crescimento mais expressivo no número de indústrias.

Goiás continua sendo o sétimo estado do País em número de indústrias. Mas, apesar de ter elevado este número entre 2020 e 2021, já vê a Bahia, oitava colocada, se aproximando rapidamente e ameaçando sua posição “Teremos que correr para não perder posições. A guerra fiscal está mais forte que nunca. Eles têm montado frentes de agências de promoção de investimentos, não só para atrair novas indústrias, mas também para tomar empresas de outros estados, alerta Tchequinho.

Ele lembra que há muitos anos Goiás não recebe um investimento Ancora de uma cadeia de produção longa, como do setor automobilístico.

“Estamos num vácuo. A participação do PIB industrial na economia do Estado caiu de 28% em 2010 para 21% em 2019”, destaca. Esta lacuna foi ocupada pelo setor de serviços, que elevou sua participação de 60% para 67%. Para Tchequinho, a sinergia entre os setores público e privado precisa ser cada vez maior para melhorar ainda mais o ambiente de negócios e elevar a atração de novos investimentos, que hoje estão mais focados em projetos de ampliação.

Reportagem: Jornal O Popular

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