“Negócios não podem parar”, diz empresário do setor de transporte em Goiás

O ex-presidente da Aciag de Aparecida de Goiânia, Osvaldo Zilli, do segmento logístico, lembrou-se da greve dos caminhoneiros e agora teme crise econômica com fechamento total do comércio.

 

O empresário do setor de logística, Osvaldo Zilli, dono da transportadora Transzilli e ex-presidente da Associação Comercial e Industrial (Aciag) de Aparecida de Goiânia, em entrevista ao jornal O Hoje, nesta segunda-feira (30), opinou acerca das medidas do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para combater o novo coronavírus no Estado, e entende que as atividades econômicas não podem parar.

Jornal O Hoje: se o senhor for chamado pelo governo para opinar sobre o fim ou prorrogação do Decreto, que paralisa o comércio em Goiás, qual seria seu posicionamento?

Como empresário e falando em nome dos empresários, a gente tem que voltar ao trabalho. Essa seria a minha posição. Eu mesmo presidi a Associação Comercial e Industrial [Aciag de Aparecida de Goiânia] por dois mandatos e sei muito bem como é a minha vida de empresário, mas também seis como é a dos meus colegas empresários. Da dificuldade de se tocar uma empresa. Então hoje a gente não pode ficar nenhum dia parado. Você imagina essa quarentena. A gente entendeu que no começo seria até necessário, mas sabemos também da dificuldade de quem precisa dos serviços, sejam os emergenciais, sejam aqueles que precisam de algo no dia a dia: alimentos e medicamentos, mas àqueles que realizam viagens, quem faz todo esse trabalho. Quem precisa de um restaurante para se alimentar, precisa de um posto para abastecer, precisa de uma oficina para fazer uma manutenção. Então é uma quarentena muito grande. Da minha parte, se dependesse de mim, que a gente continuasse tomando cuidado sim, quem sabe o estádio de futebol, podia continuar por mais uma temporada, até fechado? Quem sabe essas festas, essas baladas?  Que são organizados, que não tem necessidade. Que daria para esperar um pouco mais: fechados. Mesmo me colocando no lugar deles, têm dificuldades, porque eles também precisam sobreviver. Assim, seus negócios, mas quem sabe mais alguns dias? Até dar uma acertada nesta situação. E, volto a ser um pouco insistente, acho que a gente tem que voltar a começar a trabalhar, com suas limitações, com seus cuidados, de repente, essa mudança de cultura, entre a própria empresa, com os colaboradores, os funcionários, no dia a dia terem mais capricho na limpeza. Eu penso nesse aspecto.

O Hoje: o senhor acha que foi um pouco duro esse decreto e faltou, inicialmente, o governo conversar com o empresariado e a sociedade civil organizada, antes de determinar a quarentena?

Eu até acredito que o governador [Ronaldo Caiado – DEM] teve até boas intenções. Acho que a preocupação, realmente, era do acúmulo de pessoas precisarem dos hospitais, pois não há estruturas. Mas também se entrasse em discussão com a sociedade, a gente sabe que várias pessoas pensam de um jeito, outros pensam de outro jeito. Eu acredito que não se chega, realmente, a um acordo. Eu acho que foi, sim, o governador foi duro, se preocupou, acho que muito como médico, e vejo ele como um bom profissional, no seu segmento, mas como empresário ele não tem a experiência que nos temos, isso porque nós precisamos pagar contas todos os dias. Eu sempre falo: o empresário está neste mundo, com uma missão. Eu acredito que a gente está aqui, para dar emprego, gerar renda, para nossos estados, nossos municípios, para o Brasil. Eu acredito que o empresário está nessa missão. Então ele não pode também, daqui a pouco, fechar seu negócio, parar sua empresa por falta de dinheiro, não vai conseguir pagar seus impostos, não vai honrar seus compromissos de aluguel, não vai honrar seus compromissos para pagar o FGTS [Fundo de Garantia por Tempo de Serviços], pagar o INSS [Instituto Nacional da Seguridade Social] do colaborar, pagar o salário, pagar PIS, Cofins, e assim sucessivamente, toda essa carga tributária que o empresário tem. Eu acredito que o empresário tem que ser mais ouvido, por mais boas intensões que o governo teve, que a sua equipe teve. Mas às vezes eu até defendo, o próprio presidente da República [Jair Bolsonaro]. Às vezes o modo de falar dele acaba atrapalhando, a gente sabe que a intenção dele é boa, às vezes ele coloca mal as palavras e a mídia acaba interpretando até mal o que ele fala, mas eu noto que a grande preocupação, daqui a pouco, é o desemprego, as empresas fechando e não conseguindo honrar seus compromissos. E, todo mundo, felizmente e infelizmente tem seu negócio, ele precisa estar aberto, com portas aberas para fazer a comercialização dos seus produtos.

O Hoje: o segmento do senhor, no ano retrasado, enfrentou um momento difícil, com a greve dos caminhoneiros, dessa época para cá, o setor já se recuperou ou ainda estava se recuperando. E, agora se avizinhando essa nova crise?

Sim, a parte logística, a parte do transporte, toda a cadeia logística, ela foi bastante afetada naquela greve dos caminhoneiros, de 2018. E a gente levou uma lição muito grande. Aliás, muitas empresas pararam, quebraram, principalmente os autônomos, muitos venderam seus caminhões, não deram mais continuidade nos seus negócios. A margem de lucro do setor é pequena. Então, para você se recuperar é difícil. Eu sei que nós levamos mais de seis meses para conseguirmos retornar ao ponto de equilíbrio novamente e voltarmos o transporte ao normal. E a gente sabe que a economia estava meio capenga, nesses últimos dois, três anos, também ajudou a atrapalhar mais ainda. Enxergando agora de modo geral, nós que transportamos para o Brasil todo e distribuímos para vários estados, a gente vê a dificuldade, digamos, de quem opera, porque quem opera, não é só quem vai lá e entrega o produto, quem vai vender o produto, quem vai fazer a sua entrega, quem vai fazer suas transferências? Mas volto a enxergar em um todo, o Brasil estava saindo de uma crise econômica, tentando tornar que este ano a gente podia ter um 2020 melhor. Dar uma decoladinha com calma, e um 2021 ser melhor, assim sucessivamente. Infelizmente, veio este vírus, que veio nos atrapalhar. Então eu volto a ser insistente, logística ela precisa sim, de infraestrutura, ela precisa de quem estar em volta dela, que esteja também trabalhando, e volto a disser, o mercado precisa estar recebendo, o restaurante precisa estar recebendo, o posto de gasolina precisa estar abastecendo. O restaurante na beira da pista precisa estar fornecendo o alimento para nossos colaboradores e para quem passa nela. Então eu sou um empresário que gosta de construir. Eu quero ajudar a construir, quero fazer meu papel, assim, de ser humano, quero fazer meu papel de brasileiro. Eu sou muito patriota. Sou goiano de coração, mesmo nascido lá no Sul. Mas eu quero fazer a minha parte, como ser humano. Eu acho que nós vamos ter que abrir as portas das empresas. Volto a ser insistente, com cuidado sim, eu acho que todo mundo tomou esse aperto, e vai começar a mudar a própria cultura nas suas casas, nos seus trabalhos, mas sem trabalho, nós vamos daqui a pouco… o que a gente vai fazer? Com quem está dentro de casa, o que a gente vai fazer, para daqui a pouco pagar os colaboradores para eles comparem seus alimentos? Se a empresa não estiver produzindo. Então eu acho que vamos precisa de muito consenso, não adianta neste momento, estar medindo forças políticas, medindo forças para saber quem manda e quem desmanda. Quem põe o decreto, quem depende da situação do governo federal, do governo estadual e da própria prefeitura. Então, a minha posição é que a gente volte a trabalhar, mais uma vez: com cuidado.

Fonte: Jornal O Hoje

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