Problemas em Goiás preocupam grupo Enel

Por Camila Maia | De Nova York

 

 

 

 

Os problemas políticos relacionados à concessão de distribuição de energia de Goiás podem afastar novos investimentos da italiana Enel na região, indicou Maurizio Bezzeccheri, presidente da Enel Americas, que é controladora da Enel Distribuição Goiás (antiga Celg D).

Na terça-feira, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), disse, em suas redes sociais, ter ouvido do governo de Jair Bolsonaro que a concessão da distribuidora poderia ser cassada, devido aos embates entre o governo e a concessionária.

A Enel rebateu a informação e disse não ter sido notificada nem pelo governo nem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre sua concessão, e destacou que tem investido em média 3,5 vezes mais na distribuidora, desde que assumiu, em relação ao que era aportado pelo governo antes de concessionária ser privatizada.

O cerne da questão está em uma lei aprovada no início do ano pela assembleia legislativa goiana e sancionada pelo governador, que determinou que a Enel será obrigada a arcar com dívidas administrativas e judiciais da empresa geradas entre 2012 e 2015, quando ela ainda era estatal. Até então, estava vigente uma lei que determinava que esse passivo seria bancado por um fundo criado pelo governo estadual, fruto do acordo de gestão compartilhada firmado entre a Eletrobras e o governo goiano em 2012.

A Enel foi à Justiça e obteve uma decisão favorável na briga, que ainda deve seguir para outras instâncias. A criação desse fundo, que é pago por impostos, foi uma condição para que a privatização da Celg fosse bem sucedida. “Todos os negócios precisam ser confiáveis e estáveis, precisamos de um cenário legal e regulatório estável”, disse Bezzeccheri.

Neste momento, apesar da agenda contra a privatização da distribuidora de energia, o governo goiano estuda a privatização da Celg Geração e Transmissão (Celg GT) nos próximos anos. A Enel tem uma hidrelétrica na divisa entre Goiás e Minas Gerais (a usina Cachoeira Dourada) e, por causa da distribuidora, é vista pelo mercado como uma candidata natural a arrematar a estatal em um eventual leilão.

Questionado sobre o assunto, Bezzeccheri afirmou que “primeiramente temos de resolver as questões relacionadas à distribuidora”. Enquanto isso, a companhia não vê outros investimentos em Goiás.

“A estabilidade das regras do jogo é fundamental para investimentos”, disse Bezzeccheri. Crises como a de Goiás, segundo ele, precisam ser vistas com cuidado. “Às vezes, considerações políticas de curto prazo não se dão conta das consequências e dos danos no longo prazo”, afirmou.

O presidente da Enel Americas participou, ontem, na Bolsa de Nova York (Nyse) de evento para celebrar os 25 anos de listagem da companhia.

A repórter viajou a convite da Enel

Matéria: Jornal Valor Econômico

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