Sindicalistas temem pelos empregos nos polos industriais de Goiás

Presidentes de sindicatos e federações de trabalhadores em Goiás demonstram forte preocupação com o futuro de milhares de empregos, principalmente nos municípios goianos com forte presença de indústrias incentivadas pelos programas Fomentar e Produzir do Estado.  É o que afirmaram, na noite da última segunda-feira em Itumbiara, durante o seminário regional Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos que reuniu mais de 500 empresários, trabalhadores, lideranças políticas e representantes do meio acadêmico da cidade e região. A discussão principal foi sobre os desafios para o Estado vai atrair mais investimentos e gerar mais empregos a médio e longo prazos.

“O setor sucroalcooleiro gera 60 mil empregos diretos em Goiás. Se formos contar as famílias, são 200 mil pessoas que dependem deste salário. Imagina o impacto se, de fato, chegar a um corte de 20% desses empregos como consequência da redução dos incentivos fiscais para as empresas continuarem sendo competitivas e realizarem novos investimentos no Estado? É um risco que nos preocupa muito”, afirmou o presidente da Federação dos Trabalhadores, Empregados e Assalariados Rurais em Goiás (Fetaer), José Maria.

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e das Entidades Sindicais Unidas de Itumbiara, Flávio Marani, também mostrou preocupação com a possível redução nos postos de trabalho. Ele reforçou ainda que o setor não suportaria aumento nos impostos e pregou o diálogo. “É preciso que o governo do Estado escute o setor produtivo, os empresários e os trabalhadores. Aumento de impostos não vai gerar renda maior para os cofres públicos. O efeito pode ser o contrário e gerar milhares de demissões”, enfatizou.

O prefeito de Itumbiara, José Antônio (PTB) afirmou no seminário que o município perdeu grandes áreas com a emancipação de Cachoeira Dourada e Inaciolândia, por exemplo. “Eram áreas importantes para a agropecuária que fortaleciam a economia de Itumbiara. Depois disso, a cidade teve de buscar outras fontes de riqueza. E a atração de indústrias teve um papel fundamental para a nossa economia. Isto só é possível com os incentivos fiscais”, afirmou. O prefeito ressaltou ainda que, dentro da legalidade, o governo tem de ser um facilitador para atrair empresas e investimentos. “Deveríamos é prestar homenagens aos empreendedores que investem e geram desenvolvimento e empregos no nosso Estado”, frisou.

Diretor-executivo da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial), Edwal Portilho apresentou no seminário em Itumbiara dados oficiais que mostram que os incentivos fiscais atraíram nas últimas três décadas centenas de empresas e colocaram Goiás como a 9ª maior economia do País. O Estado tem hoje o 7º maior parque industrial do Brasil, é o 7º em arrecadação de ICMS e o 7º em geração de empregos com carteira assinada na indústria. “Mas, desde 2015, os empresários têm sentido uma grande pressão e incertezas. Temos que buscar formas de retomar o crescimento industrial, para que Goiás não perca mais competitividade e deixe de atrair novos investimentos”, alertou.

 

EMPRESÁRIOS CRITICAM CLIMA DE INSEGURANÇA NO ESTADO

O empresário Roberval Martins, da empresa Alca Foods e presidente da Associação Comercial, Industrial e Serviços de Itumbiara (ACISI) destacou a união do setor produtivo no Estado durante o seminário regional Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos, realizado na noite de segunda-feira em Itumbiara. “É importante ver trabalhadores e empresários unidos para buscar o crescimento e o desenvolvimento econômico e social”, ressaltou. O empresário, que acabara de retornar de viagem comercial para a China, contou que o país asiático tem uma forte política de incentivos fiscais e consegue uma alta taxa de crescimento econômico. Roberval Martins disse ainda acreditar nesta união de forças para o estado buscar a competitividades e se tornar cada vez mais industrializado.

Presidente da CDL de Itumbiara, Orlando Ferreira disse que é grande a preocupação no comércio da região com uma queda no consumo caso trabalhadores em indústrias incentivadas comecem ser dispensados por conta do aumento da carga tributária em Goiás. “A atração de novos investimentos e a criação de novos empregos geram renda e impulsionam o consumo. E essa é uma roda que tem que girar para a frente, não para trás”, defendeu.

Representante da Facieg em Itumbiara, Lauro Ferrão disse que o cenário de incertezas neste momento tem gerado adiamento de novos investimentos privados em Goiás. “Trinta e quatro empresas assinaram neste ano um protocolo de intenções para investir no nosso Estado. Mas, com essa indefinição nesta política de incentivos fiscais, apenas 12 continuam manifestando interesse. É preocupante”, comentou.

“Queremos ouvir opiniões que podem nos ajudar na geração de empregos e isso vai alavancar a nossa economia”, afirmou o empresário Alberto Borges, do grupo Caramuru. Ele lembrou que Estados como Mato Grosso do Sul e Minas Gerais têm colocado em prática políticas de incentivos fiscais mais atraentes e que isso pode impactar no desempenho econômico de Goiás.

O presidente da Adial Goiás, Otávio Lages Siqueira Filho disse que o objetivo dos seminários é levar uma reflexão aos principais polos econômicos do Estado e, ao final, propor alternativas ao governo que possam favorecer o desenvolvimento econômico e a geração de emprego. “Os incentivos fiscais devem ser uma política de Estado e não de governo, para não se correr o risco mudanças nas regras no meio do jogo e, com isso, gerar insegurança jurídica”, afirmou. Otávio Siqueira Filho afirmou ainda que “o emprego é o melhor programa social” e que é preciso agir com rapidez para favorecer o setor produtivo. “Empresários e trabalhadores estão unidos. A incerteza do momento está sendo uma ameaça ao emprego”, frisou.

UNIVERSIDADES DESTACAM PARCERIAS COM INDÚSTRIAS

O reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira, destacou em Itumbiara a presença das universidades nos seminários do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos, dizendo que o desenvolvimento passa pela união de empresários, academias, governo e sociedade. Afirmou que, com o conhecimento científico, as universidades podem dar a exata dimensão dos incentivos fiscais. “Esse estudo pode mensurar o impacto dessa política, quais resultados positivos e quais ficaram abaixo do esperado e apontar novos caminhos”, disse.

Diretor do ILES/Ulbra em Itumbiara, Jeferson André Samuelsson apresentou o exemplo da Noruega, onde 95% da população tem a educação secundária e 73% tem curso superior ou já concluíram esta etapa. Enquanto no Brasil, a taxa de escolarização não passa de 31%. “O resultado se reflete na economia. O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil é 5 vezes maior que o da Noruega, porém em termos de renda e qualidade de vida, eles estão bem à nossa frente”, comentou.

O diretor afirmou ainda que desenvolvimento e ensino superior caminham juntos, mas sem os investimentos certos, a mão de obra qualificada vai embora. “De 1960 para cá, os Estados Unidos e o Canadá receberam mais de 1 milhão de cientistas estrangeiros” disse, completando que “se não tiver emprego aqui, o profissional vai em busca de colocação em outro lugar”. Para Jeferson André o grande desafio da política industrial é aumentar a capacidade de desenvolvimento humano e social e a criação de vantagens competitivas para as indústrias e para as pessoas.

Diretor da UEG em Itumbiara, Davi Lopes Pereira também reforçou a importância de todos os segmentos caminharem na mesma direção. “É essa união entre empresários, trabalhadores e universidades que vai apontar o caminho para o desenvolvimento de Goiás”, enfatizou.

 

Nas fotos, Alberto Borges (Caramuru) e Edward Madureira (UFG) debatem desenvolvimento com empresários e trabalhadores em Itumbiara

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