Trabalhadores da Região Sul de Goiás cobram mais diálogo do Poder Público

Dirigentes sindicais e empresários estiveram reunidos nesta segunda-feira (21) em Itumbiara para seminário que discute o desenvolvimento de Goiás.

A investida patrocinada pelo governo do Estado e Assembleia Legislativa contra aos incentivos fiscais tem preocupado trabalhadores nas mais diversas cidades goianas. Nesta segunda-feira (21), por ocasião da quarta edição do seminário “Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos”, que será realizado logo mais em Itumbiara, lideranças sindicais da região Sul do Estado expuseram a aflição e receio de perderem seus empregos.

“O governo está preocupado em aumentar a arrecadação (ao propor aumento da carga tributária) sem qualquer diálogo com nós, trabalhadores, que seremos diretamente afetados. As empresas aumentarão os preços dos seus produtos e, em busca de competitividade, terão que fazer demissões”, explicou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Itumbiara, Flávio Henrique Caetano, em entrevista coletiva realizada na manhã desta segunda-feira.

Falta de diálogo foi também uma questão levantada pelo secretário-geral da Federação dos Trabalhadores Rurais Assalariados do Estado de Goiás (FETAER-GO), Adão Donizete. “O governo precisa conhecer e entender a realidade dos trabalhadores. Precisa ao menos nos ouvir”, disse ele. “Nós queremos os empresários gerando melhores empregos e melhores salários, e não diminuindo a produção e demitindo”, completou.

Lideranças empresariais e dirigentes de sindicatos e de associações ligadas a trabalhadores têm participado, desde o início da manhã, de reuniões, entrevistas e agendas institucionais em Itumbiara, como a que incluiu audiência com o prefeito José Antônio (PTB), já no início da tarde. “Tenho acompanhado todo este movimento. E antecipo nosso apoio ao desenvolvimento, à geração de emprego e renda para todos em Goiás. Itumbiara é hoje a 7ª economia do estado e diversificou sua produção graças aos incentivos”, afirmou o prefeito à comitiva.

“Números que atestam o crescimento e o desenvolvimento de Goiás nos últimos anos mostram que a política de incentivos fiscais empregada até aqui foi acertada. Nos tornamos o 9º maior PIB e o 7º parque industrial do País. Mas, infelizmente, a situação geral hoje é de paralisação de investimentos”, disse o presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Otávio Lage Filho. A entidade é uma das coordenadoras do seminário. “Muitos empresários não querem investir em função do cenário atual, de indefinição desde o início do ano sobre a política de incentivos”.

Comissão

O cenário em Goiás também tem ficado desfavorável aos empresários e trabalhadores em função de uma Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada na Assembleia Legislativa. No último dia 15 foi aprovada, na Comissão de Constituição e Justiça da Casa a revogação de lei que concedia incentivos fiscais para indústrias do setor têxtil, como também crédito outorgado ao setor sucroalcooleiro. Paralelo a isto, grandes empresas goianas começam a migrar investimentos para estados vizinhos, como Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, atraídas por melhores condições de competitividade. É o caso, por exemplo, do Grupo Novo Mundo e da Caramuru, esta última com sede em Itumbiara.

“O momento é de união entre trabalhadores e empregadores. O governo quer aumentar impostos, e por tabela a arrecadação, e resolver os problemas do estado. Mas não é assim que vai acontecer. Agir desta forma implica na demissão de muitos profissionais. E a reação é em cadeia: diminui-se a renda per capita do trabalhador e de sua família, que vai comprar menos, e o comércio também sentirá o efeito desta medida”, desabafou o presidente Sindicato dos Metalúrgicos de Itumbiara, Flávio Henrique Caetano.

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