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Estudo feito por setor produtivo aponta demandas e soluções para industrialização do Estado


20/07/2022


Mapeamento feito pela Adial aproxima a iniciativa privada do poder público, com foco na solução de entreves para o desenvolvimento econômico de Goiás

Entre as lideranças empresariais e representantes do setor produtivo goiano há uma grande preocupação: a desindustrialização do estado. O temor é baseado em estudos e tem razão de ser. Um levantamento feito pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), sobre o desempenho da industrialização brasileira entre 2008 e 2018, divulgado no ano passado aponta que entre o biênio 2007/2008 Goiás tinha 2,83% de participação na industrialização brasileira, porém, terminou o ciclo dos gestores que defendiam balizas legais como Fomentar e Produzir, com registro de 2,91% de participação industrial.

Os dados da CNI negam a eficácia da política adotada no período para atrair indústrias. E deste cenário que Associação Pro Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial) recorreu a um estudo amplo para mapear os gargalos e demandas do setor produtivo, e então alinhar com o governo do estado políticas públicas para que goiás oferte atrativos e volte a ter uma forte industrialização.

O mapeamento ganhou o nome de AgreGo, e se trata de um Plano de Desenvolvimento Industrial de Goiás. A iniciativa é idealizada pela Adial, com apoio do Fórum das Entidades Empresariais, do Fundo para o Desenvolvimento da Pecuária em Goiás (Fundepec Goiás) e do Governo do Estado. O trabalho foi iniciado em 2021 e concluído neste ano. O resultado é tratado como um Raio-X de todo o setor produtivo goiano.

Os dados do levantamento ainda não se tornaram públicos. Por hora estão nas mãos de lideranças do setor produtivo e servidores do governo, que usam os dados para nortear as ações para a economia do estado. Segundo o presidente executivo da Adial, Edwal Portilho – conhecido também com Tchequinho, o plano permitirá a promoção do desenvolvimento industrial nos próximos 10 anos. “O estado vem perdendo competitividade ao longo do tempo. O aumento da carga tributária é um dos principais fatores. E outros estados acabaram por se destacarem e então receberam maiores investimentos do setor privado – falo da instalação ou ampliação de plantas industriais. É necessário repensar e planejar para voltarmos a ser um grande atrativo”, diz

Tchequinho aponta que o Estado de Goiás é um grande produtor e exportador de matérias-primas, principalmente grãos, carnes e minérios. Para aumentar o beneficiamento e a agregação de valor destes produtos e elevar a geração de empregos, foi feito o levantamento nas cadeias produtivas locais para identificar as maiores demandas e as ações necessárias para incentivar o aumento da produção e acelerar o desenvolvimento industrial. “Todos os dados serão comparados com a realidade estrutural da economia goiana e também com a realidade de cada setor no âmbito nacional. Serão identificados potenciais ganhos de empregos, investimentos, tributos e competitividade da produção local para oito macro-setores”, destaca o líder classista.

Na defesa do Agrego, o presidente-executivo da Adial aponta que o mapeamento é uma de planejar profissionalmente o setor industrial de Goiás no ciclo até 2031. Segundo ele, mais de 50 empresas instaladas em Goiás participaram do estudo, fornecendo dados e ajudando o detalhamento dos entraves e soluções. “Os consultores vão destrincharam todos os números do setor e coletar informações e dados detalhados por segmentos, tanto no setor privados quanto público”, diz.

Singularidades

O estudo tem como ponto forte o catálogo de potencial e gargalos de cada setor. Assim, cada segmento consegue ser visualidade de forma singular, recebendo soluções especificadas. Segundo Tchequinho, essa é uma fórmula para reduzir a ociosidade do parque industrial goiano, já que o Estado é um grande produtor de matérias-primas para a agroindústria, mas boa parte acaba exportada sem agregação de valor. “Há problemas variados hoje, desde a falta de insumos até concorrência de outros estados e até países. É um projeto que mostrará as necessidades de cada segmento”, alerta.

Tchequinho ressalta que algumas medidas governamentais lineares podem beneficiar alguns segmentos e prejudicar outros, por causa das características de cada um. Daí, a importância de conhecer as particularidades e demandas de todos a curto, médio e longo prazos. “Isso é importante para formatação de políticas públicas e até modelos de assistência técnica”, destaca. A solução dos gargalos deve gerar oportunidades de investimento, que não se limitem à concessão de incentivos fiscais.

Ações implantadas

Os estudos compostos no AgreGo já resultam em mudanças para o setor produtivo. A maioria é no campo fiscal e tributário. Algumas as ações já foi anunciado pelo governo de Goiás, como a concessão de crédito outorgado para empresas que realizam exclusivamente operações interestaduais via internet para aumentar a atração de investimentos do setor, uma das principais demandas dos empresários. A medida vai beneficiar empresas que estão no segmento de Ecommerce.

Outra ação prática que está relacionado ao AgreGo é a assinatura do decreto estadual que estabelece a redução de 15% para 10% na contribuição das empresas beneficiadas por incentivos fiscais para o fundo Protege, no período entre julho e dezembro de 2022, que beneficiará toda a indústria e usinas.

O esmagamento de soja também logo será beneficiado com um aumento de crédito outorgado de 5% para 7%. O governo informa que a medida visa fomentar um setor sumamente relevante para o Estado, agregando valor à produção local e aumentando a arrecadação.

Aproximação com poder público

O AgreGO recebeu o apoio do Governo do Estado, e a partir de então ele passou a ser a principal chave para um novo canal de diálogo entre setor produtivo e o poder público. Todos os apontamentos feitos pelo mapeamento agora são estudados em conjunto com representante da iniciativa privada e servidores do governo do estado que possuem alinhamento com o setor, para apresentação de propostas.

“Tudo está em fase de evoluções. Cada setor tem sua necessidade, e há aquelas sendo gerais. Mas as ações estão sendo colocadas em curto, médio e longo prazo. Estamos nos apresentando como parceiros para o desenvolvimento do estado, na geração de emprego, renda, formação de mão de obra, investimentos em educação, saúde e outras áreas primordiais que afetam o setor produtivo de forma positiva”, argumenta Tchequinho. (Marcos Aurélio Silva/ Jornal Opção)

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