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Reforma tributária: empresas começam a repensar distribuição e produção com novo cenário

18.12.2023


Novo sistema deverá neutralizar guerra tributária existente hoje no Brasil; companhias fazem novos planejamentos para verificar onde é mais vantajoso ter fábricas e centros logísticos



No País onde um produto feito na Zona Franca de Manaus pode se tornar mais barato quando viaja a São Paulo, antes de chegar a um consumidor no Nordeste - exclusivamente por questões tributárias -, os departamentos de logística das empresas têm fervido desde que os contornos da reforma tributária começaram a ser aprovados.


“Tivemos de reforçar o time de engenharia de projetos porque a demanda cresceu muito neste ano”, afirma Djalma Vilela, presidente da Multilog, empresa de logística integrada que deve fechar o ano com faturamento de R$ 1,4 bilhão. “Apesar de a conclusão da reforma tributária estar prevista para daqui a dez anos, as empresas que se posicionarem antes terão vantagem competitiva em relação aos concorrentes.” Isso porque, até agora, as empresas constroem suas malhas logísticas, incluindo fábricas, centros de distribuição e compras de fornecedores, em função dos benefícios fiscais e créditos de ICMS que tenham a compensar, nos diferentes Estados. Mas a situação deve mudar. “A reforma tende a neutralizar a guerra tributária e a diferença de carga em relação ao ICMS entre os Estados”, afirma Cristiano Rios, diretor executivo sênior da área de transformação de negócios da FTI. “Mesmo que ainda haja exceções e detalhes a serem validados por lei complementar, a tendência é de simplificação e as empresas já estão preparando cenários em cima das premissas atuais.”


É uma corrida contra o tempo, dizem os especialistas. “Depois de 2033, a tributação sobre o consumo vai deixar de ser um diferencial competitivo em relação ao que é hoje, quando parte importante dos resultados das empresas se dá em cima de incentivos fiscais ou de organização dos créditos tributários a serem compensados”, afirma Orlando Dalcin, sócio da consultoria PwC. “As corporações querem pegar o melhor do modelo atual, antes de decidir onde abrir o próximo armazém ou a nova fábrica.” Rios afirma que, pelo menos, 60% dos grandes clientes começaram a fazer essa modelagem de cenários futuros, já que precisam saber como posicionar sua logística quando os benefícios forem neutralizados. “No momento, estão sendo rodados modelos computacionais que podem indicar se, na ausência de um benefício fiscal ou um regime especial, valerá à pena mudar um centro de distribuição para estar mais próximo ao consumidor”, diz ele. “É um processo demorado buscar imóveis, transportadoras, fornecedores e treinamento de pessoal — e quem avançar antes vai estar mais bem preparado para capturar os resultados.” Os ganhos, é claro, não serão apenas financeiros. Além da menor emissão de carbono — uma conta que tende a ser mais valorizada para todas as empresas —, há ainda a redução no prazo de entrega das mercadorias, o melhor serviço prestado ao cliente e a redução no tempo de faturamento. Apesar das incertezas envolvidas no tema, os ganhos têm sido superiores a 10% em alguns casos, segundo Rios. ( O Estadão)

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