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Reindustrialização de Goiás

28.12.2023


*Erik Figueiredo



A redução da participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) dos países tem se tornado um tema recorrente no debate econômico mundial. No Brasil, o processo de desindustrialização pode ser ilustrado pelas baixas taxas de crescimento do setor, vis a vis, outros setores da economia, como o de serviços e, principalmente, o agro. Para se ter uma ideia, em 2022 a indústria recuou 0,7% e passou a operar no mesmo patamar registrado em 2009.


Esse longo período de declínio da atividade industrial também foi observado no estado de Goiás. No final de 2018, o índice de atividade da indústria goiana passou a operar no mesmo nível de 2010. Quase uma década e estagnação, que contribuiu para a perda de participação no PIB do estado, dado o avanço dos demais setores da economia. Esse processo foi interrompido em 2019 e, mesmo com a pandemia, a atividade industrial no estado de Goiás conseguiu avançar quase 15%, marcando uma reversão da tendência da desindustrialização do estado goiano.


Os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao mês de outubro, só reforçam essas evidências. No acumulado do ano, a indústria de Goiás cresceu 3,8%, frente ao crescimento de 0% no Brasil, sugerindo que 2023 será marcado por mais um avanço do estado de Goiás na participação da indústria nacional.


Há, porém, outros importantes resultados, por muitas vezes, pouco explorados na análise desse tipo de pesquisa. O índice de atividade da indústria goiana alcançou o segundo maior patamar da série histórica iniciada em 2002.


Esse índice ficou atrás apenas do desempenho registrado em outubro de 2019. Aliás, dos cinco maiores níveis de atividade da série histórica, quatro são registrados no pós-2019. A tradução desse crescimento em empregos também se faz relevante. Ao cruzarmos essas informações com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), é possível observar um saldo positivo de empregos gerados pelo crescimento do setor industrial.


São quase 22 mil novos postos de trabalho criados no ano, que se somam ao estoque de 302 mil goianos que já estão empregados no setor. Com uma renda média mensal de R$ 2.600, a expectativa é que o incremento de emprego na indústria seja responsável pela injeção de mais de 800 milhões de Reais em nosso estado em 2023, só considerando os salários.


Esses e outros indicadores sugerem que o estado de Goiás continua na direção certa em sua agenda económica. Após crescermos 6,6% em 2022, os indicadores de crescimento no ano, como o IBCR da Banco Central do Brasil, já apontam para um acumulado de crescimento no ano de 2023 acima de 6%.


Dois anos com um crescimento quase três vezes superior ao crescimento nacional, com evolução da atividade industrial, geração de emprego e aumento da renda média do trabalhador ampliam a responsabilidade dos agentes públicos de Goiás. Sabemos que a continuidade desse ciclo virtuoso depende de ações concretas no sentido de reduzir o custo de produção no estado e desburocratizar o processo produtivo, deixando espaço para a livre iniciativa do setor privado.


Esse nível de maturidade da politica pública de Goiás já foi alcançado. O Programa Estadual de Liberdade Económica inaugura uma nova forma de pensar a politica pública do estado. Pautado em medidas sem custo fiscal, a iniciativa promete contribuir para a manutenção dos bons números da economia goiana com rebatimento direto sobre a elevação do bem-estar da população.


Erik Figueiredo, diretor-executivo do Instituto Mauro Borges (O Popular)

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