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Setor produtivo bancará investimentos em energia

03.02.2024


Projetos coletivos de autoconstrução articulados pela Adial foram definidos em reunião intermediada pelo governo de Goiás e devem priorizar a indústria e o agronegócio goianos



O setor produtivo planeja intensificar o investimento próprio para dar velocidade às obras de melhoria da rede de distribuição de energia elétrica em Goiás. De

acordo com o presidente-executivo da Associação Pró-desenvolvimento Industrial do Estado (Adial), Edwal Portilho, o Tchequinho, os dois primeiros

projetos coletivos devem atender a indústria e o agronegócio. A expectativa é que em dois anos os setores comecem a sentir o impacto. O montante de

investimento ainda está em fase de estudo. A iniciativa já era tratada nos bastidores desde o ano passado, como o POPULAR mostrou em novembro, e foi consolidada em reunião no dia 26 de janeiro, no Palácio Pedro Ludovico Teixeira.

Participaram do encontro o governador Ronaldo Caiado (UB), o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, o presidente da Equatorial Goiás, Lener Jayme, e representantes do setor produtivo - entre eles, Tchequinho.


O modelo a ser adotado é conhecido como “autoconstrução” ou “auto-execução”, em que o ente privado, em diálogo com a concessionária, executa uma obra de seu interesse e posteriormente é ressarcido. Em novembro, a Equatorial informou que, em 2023, no período de 10 meses, foram autorizadas mais de 400 obras de autoconstrução em Goiás. No entanto, segundo Tchequinho, o novo plano é

diferente por causa do tamanho, complexidade e por ser coletivo.


A estratégia a ser adotada pelo setor produtivo nesta nova iniciativa é reunir empresários de uma região e elaborar um projeto, que será apresentado

e aprovado pela Equatorial. Segundo Tchequinho, foi firmada parceria com a companhia Brasol (BlackRock e Siemens) para a execução da obra. Os agricultores

e donos de indústrias devem pagar a empresa pela obra por período que deve variar de 10 a 20 anos, a depender do contrato.


O foco das intervenções (como subestações e linhas de distribuição, por exemplo), também deve ser definido no projeto técnico e previsto em contrato.

Ainda segundo o presidente da Adial, a empresa será responsável pela operação e manutenção do sistema.


No fim do contrato, os ativos que fazem parte da propriedade dos clientes (como subestações dentro de fazendas, por exemplo), serão transferidos aos empresários. Já intervenções que fazem parte da rede como todo, como linhas de distribuição, passam para a concessionária de energia, que deve ressarcir os consumidores envolvidos. Presidente da Comissão Especial de Direito das

Energias Renováveis da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás (OAB-GO), Thawane Larissa Silva explica que a autoconstrução é um modelo comum

em casos de obras de grande porte, em que o cliente prefere fazer investimento com recurso próprio e depois ser reembolsado. No entanto, segundo a

presidente, a formatação coletiva não é usual.


Cenário

Quando começou a operar em Goiás no início de 2023 - após ter comprado a antiga Celg D da italiana Enel -, a Equatorial divulgou que faria investimentos

seguindo os interesses de desenvolvimento do estado. Em janeiro, durante o programa Café com CBN, da rádio CBN Goiânia, a distribuidora informou

que já havia aplicado R$ 1,8 bilhão em Goiás até o mês de setembro de 2023.


Representantes da empresa têm afirmado que a rede de distribuição goiana está degradada e a recuperação levará tempo. Neste contexto, indústria, agro e comércio têm pressionado a Equatorial e o governo do estado por mais rapidez nas soluções para os setores.


“Temos a Equatorial que já está investindo e o setor produtivo começa a investir também. Você ganha velocidade na expansão da rede, na melhoria de qualidade. E com uma questão muito específica, pois o setor produtivo, obviamente, vai focar exatamente onde estão os gargalos que o afetam. Então, a decisão vai ser muito mais cirúrgica do ponto de vista do investimento. Vai ser exatamente aquilo que precisa para atender determinada indústria, por exemplo”, disse o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima.


O secretário afirma que, como responsável pelo serviço, a Equatorial analisa e trabalha na rede como todo. Mas, por outro lado, existe demanda constante

do setor produtivo.


A reportagem entrou em contato com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e com a Equatorial Goiás, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. (Karla Araújo/ O Popular)

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