Crescimento sob risco

“É fundamental que o setor produtivo e o governo estadual atuem em sintonia”

Havia em 2019 uma expectativa otimista para a economia do Brasil. Mas, no encerramento do ano, os principais indicadores antecipavam o balde de água fria que recebemos com o resultado fraco do PIB. Para piorar, vemos nos últimos dias uma deterioração preocupante do quadro econômico mundial. O Brasil precisa criar ambiente mais favorável para os investimentos privados, com ações e metas claras de geração de empregos e de renda, e Goiás não foge a esta realidade. É hora de adotar políticas para motivar investimentos.

A indústria goiana apresentou o terceiro melhor desempenho do País em 2019, com aumento de 2,9% da produção, segundo o IBGE. Tivemos outros avanços, como a nova Lei de Licenciamento Ambiental, que representou um passo importante do Estado para acelerar novos investimentos. O novo programa de incentivos, o ProGoiás, pode se tornar uma plataforma de atração de novos investimentos, se for bem amarrado.

Mas, mesmo com os avanços citados, o cenário turbulento nos exige mais esforço. Nos últimos meses de 2019 a produção industrial em Goiás encerrou com tendência de desaceleração. Em novembro a redução foi de 4,3%; em dezembro, de 2,6%. A taxa de desemprego em Goiás foi de 10,4% no ano passado. Há sete anos era de quase 4%.

Outro dado preocupante é que a maior parte dos empregos criados recentemente em Goiás é de ocupações de menor qualificação e média salarial. Contribuiu para isso a perda de empregos na indústria, que chegou a responder por 16% de pessoas ocupadas no Estado em 2012, mas hoje participa com apenas 12%. Vivemos com as incertezas geradas pelo Covid-19. Os efeitos da epidemia afetam a economia real, inclusive para indústrias goianas, pois a China é o maior mercado para as exportações dos nossos produtos.

A economia de Goiás, especialmente o setor industrial, já ocupou postos de destaque no cenário nacional. O nosso Estado reúne todas as condições para recuperar este protagonismo. Para isso, é fundamental que o setor produtivo e o governo estadual atuem em sintonia para a construção e consolidação de políticas que fomentem investimentos, empregos e renda.

Esta sinergia também precisa estar presente internamente no governo, com as áreas econômicas da gestão atuando com os mesmos objetivos estratégicos. Esta clareza de propósitos dentro de um grande projeto de desenvolvimento, num ambiente de diálogo permanente, pode ter um efeito multiplicador significativo para nossa economia. O que a indústria goiana precisa é de competitividade e segurança para investir.

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