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Custo menor impulsiona as hidrovias

09.04.2024


Movimentação de cargas por rios, 40% mais barata em relação a outros modais e de menor impacto ambiental, ganha espaço na matriz




O transporte de cargas por hidrovias vem ganhando espaço de forma crescente na logística nacional pelas vantagens que apresenta em relação aos outros modais. Tem grande capacidade de concentração de carga - para transportar seis mil toneladas, por exemplo, por hidrovia são usadas quatro chatas e um empurrador, já por rodovia são necessárias 172 carretas de 35 toneladas de bitrem e graneleiras. Com menor custo operacional e menor consumo de combustível, é um modal 40% mais barato que os demais, além de apresentar menos congestionamentos, menor número de acidentes, menor emissão de poluentes e menos impacto ambiental.


Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), entre os tipos de navegação, a interior teve crescimento expressivo de 10,5% em 2023, seguida pela de longo curso, com aumento de 8,3%, e pela cabotagem, com crescimento de 1,6%. As principais mercadorias movimentadas pelas hidrovias foram soja, milho, óleo bruto de petróleo, minério de ferro e fertilizantes.

Fábio Schettino, CEO da empresa de soluções logísticas Hidrovias do Brasil, diz que o modal tem muitas oportunidades no país, que possui grande quantidade de rios navegáveis. "Até setembro já tínhamos transportado 14,8 milhões de toneladas, 15% mais do que em igual período de 2022, com destaque para o forte volume de grãos e minério de ferro no Corredor Sul (bacia Paraguai/Paraná) e grãos (soja e milho) no Norte (sistema Tapajós/Amazonas)."


Segundo Schettino, os desafios são muitos e para superá-los são necessários investimentos em sinalização das hidrovias, de forma a garantir a segurança da navegação, além de obras estruturais como dragagens e derrocagens, mitigando assim os impactos relacionados a mudanças climáticas. "Além disso, é preciso implementar legislações que simplifiquem os processos burocráticos para impulsionar o desenvolvimento e a competitividade do setor."


O transporte hidroviário é impactado diretamente por mudanças climáticas. O segundo semestre de 2023 registrou seca intensa na região hidrográfica amazônica, atingindo o Corredor Norte, sob influência do El Niño. Por essa razão, entre agosto e novembro, a queda de movimentação de mercadorias e contêineres foi expressiva e a retomada se deu a partir de novembro, com a volta das chuvas. O governo investiu R$ 100 milhões para derrocamento emergencial no rio Madeira por causa da seca. Para o monitoramento de eventos climáticos, a Hidrovias do Brasil faz uso da inteligência artificial, visando assegurar a continuidade das operações.


Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), diz que no fim do semestre deverá ser feita uma revisão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo governo federal em agosto, com investimentos em projetos hidroviários de R$ 4,1 bilhões. "São obras de infraestrutura que demandam muito tempo e requerem várias fases até o licenciamento e execução."


Lopes acrescenta que no ano passado foi lançado o Plano Geral de Outorgas (PGO) de rios. "Possivelmente em maio deverá ser feita uma audiência pública sobre as hidrovias do rio Madeira e do Mercosul (rio Uruguai e lagoa Mirim)." Segundo ela, o PGO trata dos rios que estarão no modelo de concessão (que ainda está sendo desenhado). Eles irão para a iniciativa privada, responsável pelas intervenções necessárias para garantir a navegabilidade daqueles rios durante o ano todo. Para os rios Paraguai, Barra Norte (trecho do rio Amazonas), e rio Tocantins-que depende do derrocamento do Pedral do Lourenço, ainda não iniciado-e o rio Tapajós ainda estão sendo elaborados os parâmetros para os estudos de melhorias.

Com um total de 2,4 mil km navegáveis, sendo 800 km no trecho paulista, com 14 terminais intermodais, nove barragens e dez eclusas, a Hidrovia Tietê-Paraná conecta os Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais, Goiás e São Paulo e é usada, principalmente, para o transporte da produção agrícola até o porto de Saritos (SP).


Em 2023, segundo Jamille Consulin, diretora do Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo, vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil), a hidrovia movimentou mais de 2,4 milhões de toneladas, um aumento de 120,7% na comparação com o mesmo período de 2022, quando a seca prejudicou o transporte. A soja representou 41% das cargas em 2023, seguida por milho com 30% e cana-de-açúcar e derivados com 24%.

Para melhorar a navegabilidade da hidrovia, foram iniciadas em março de 2023 as obras de derrocagem (detonação e remoção de rochas no fundo do leito do rio) no canal de Nova Avanhandava, que vai aprofundar o calado em 2,5 metros, em Buritama. As obras foram retomadas com o fim do defeso (proibição da pesca), que vai de 1º de novembro a 29 de fevereiro. Nesse período foi feita a coleta dos entulhos e a detonação de rochas voltou no início de março deste ano. A obra termina em 2026 e está de acordo com o cronograma, diz Consulin.


Segundo ela, também estão sendo revistos alguns projetos, como atracadouros de Nova Avanhandava, Bariri, Ibitinga e Promissão. A maior vantagem das obras é que, em período de seca, a hidrovia não fecha e os reservatórios têm um nível mínimo para garantir a geração de energia e segurança das barragens. "Tanto assim que empresas, inclusive privadas, tem demonstrado interesse em usar a Hidrovia Tietê-Paraná. A Transpetro é uma delas."


Desde 1995, a Caramuru Alimentos, que atua em processamento de soja, milho, girassol e canola, é usuária das hidrovias Tietê-Paraná- Paranaíba e Tapajós-Amazonas. "No geral, esse modal é usado pela Caramuru de forma integrada a outros para o transporte de proteína concentrada de soja e farelo de soja", diz Antônio Ismael Ballan, diretor de logística/porto da empresa. "Dependendo do perfil da hidrovia, temos um modal que pode trazer economias de 20% a 30%, além de ser ecologicamente adequado, que reduz o consumo de combustíveis fósseis, resultando em menos emissão de CO2 no ambiente." (Revista Logística / Valor Econômico)


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