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Campo brasileiro movimenta R$ 1,4 trilhão e impulsiona indústria, logística e serviços

  • há 14 horas
  • 3 min de leitura

Dados do Ministério da Agricultura mostram a força econômica da agropecuária brasileira, mesmo em cenário de queda nos preços de commodities; para a Adial, resultado reforça a importância das cadeias produtivas integradas


O Valor Bruto da Produção Agropecuária chegou a R$ 1,4 trilhão em maio de 2026, segundo dados da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Mapa. O indicador, que mede o faturamento bruto dentro dos estabelecimentos rurais, permanece em patamar elevado e reforça a importância da agropecuária para a economia brasileira.


A lavoura segue como principal componente do resultado, com faturamento estimado em R$ 908,8 bilhões, o equivalente a 64% do total nacional. Já a pecuária soma R$ 510,2 bilhões, representando 36% do valor apurado. Apesar da força dos números absolutos, o VBP registra queda de 4,6% em relação ao ano passado, reflexo principalmente da redução nos preços de importantes commodities agropecuárias e de ajustes nas expectativas de produção de algumas culturas.


Para a Adial - Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás, associação civil sem fins lucrativos que congrega indústrias, operadoras logísticas, empresas de tecnologia e serviços, o resultado precisa ser analisado para além do campo. A produção agropecuária movimenta uma ampla rede de atividades que envolve processamento industrial, transporte, armazenagem, energia, tecnologia, comércio exterior, distribuição e geração de empregos.


“O número de R$ 1,4 trilhão mostra a força do campo brasileiro, mas também revela a dimensão das cadeias produtivas que se formam a partir dele. A agropecuária movimenta a indústria, a logística, os serviços, a tecnologia e o comércio. Quando o campo cresce, uma parte expressiva da economia se movimenta junto. Por isso, precisamos olhar para esse setor com visão integrada, pensando em produção, agregação de valor, infraestrutura e competitividade”, afirma Edwal Portilho, o Tchequinho, presidente da Adial.


Entre os produtos agropecuários de maior relevância econômica, a soja permanece na liderança, com valor estimado em R$ 338,5 bilhões, seguida pelo milho, com R$ 162,2 bilhões; pela cana-de-açúcar, com R$ 110,8 bilhões; pelo café, com R$ 109,6 bilhões; e pelo algodão, com R$ 33,2 bilhões. Juntos, esses cinco produtos respondem por aproximadamente 53,2% do VBP nacional.


Na pecuária, a bovinocultura segue como principal destaque, com R$ 248,7 bilhões e crescimento de 8,9% em relação ao ano anterior. O segmento é seguido pela avicultura de corte, com R$ 106,7 bilhões; pelo leite, com R$ 73,6 bilhões; pela suinocultura, com R$ 53 bilhões; e pela produção de ovos, com R$ 28,2 bilhões. Somente a bovinocultura representa cerca de 17,5% do VBP total estimado para o país.


O levantamento também mostra comportamentos diferentes entre as culturas. Entre os melhores desempenhos estão batata-inglesa, com alta de 22,3%; feijão, com 12,6%; mandioca, com 8,1%; tomate, com 5,6%; e banana, com 3%. Por outro lado, as maiores reduções foram registradas no cacau, com queda de 56,8%; na laranja, com recuo de 38%; no arroz, com retração de 30%; além de mamona, trigo, amendoim, uva e algodão.


Na avaliação da Adial, os dados reforçam que o desenvolvimento econômico depende cada vez mais da integração entre campo, indústria, logística e serviços. A entidade destaca que produzir em grande escala é fundamental, mas agregar valor, industrializar, transportar com eficiência, investir em tecnologia e garantir segurança jurídica são fatores decisivos para transformar produção em riqueza sustentável.


Apesar das oscilações de preços e da queda em alguns segmentos, o VBP segue como um dos principais indicadores da geração de renda no meio rural e da capacidade produtiva brasileira. Os valores de 2026 ainda são preliminares e consideram as informações disponíveis até maio, conforme metodologia do Mapa.


“O Brasil tem uma base produtiva extraordinária. Mas o grande desafio é transformar essa força em competitividade permanente. Produzir muito é essencial, mas processar melhor, transportar melhor, inovar e agregar valor é o que faz a economia avançar de forma mais consistente”, completa Tchequinho.

 
 
 

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