Trabalhadores da Região Sul de Goiás cobram mais diálogo do Poder Público

Dirigentes sindicais e empresários estiveram reunidos nesta segunda-feira (21) em Itumbiara para seminário que discute o desenvolvimento de Goiás.

A investida patrocinada pelo governo do Estado e Assembleia Legislativa contra aos incentivos fiscais tem preocupado trabalhadores nas mais diversas cidades goianas. Nesta segunda-feira (21), por ocasião da quarta edição do seminário “Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos”, que será realizado logo mais em Itumbiara, lideranças sindicais da região Sul do Estado expuseram a aflição e receio de perderem seus empregos.

“O governo está preocupado em aumentar a arrecadação (ao propor aumento da carga tributária) sem qualquer diálogo com nós, trabalhadores, que seremos diretamente afetados. As empresas aumentarão os preços dos seus produtos e, em busca de competitividade, terão que fazer demissões”, explicou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Itumbiara, Flávio Henrique Caetano, em entrevista coletiva realizada na manhã desta segunda-feira.

Falta de diálogo foi também uma questão levantada pelo secretário-geral da Federação dos Trabalhadores Rurais Assalariados do Estado de Goiás (FETAER-GO), Adão Donizete. “O governo precisa conhecer e entender a realidade dos trabalhadores. Precisa ao menos nos ouvir”, disse ele. “Nós queremos os empresários gerando melhores empregos e melhores salários, e não diminuindo a produção e demitindo”, completou.

Lideranças empresariais e dirigentes de sindicatos e de associações ligadas a trabalhadores têm participado, desde o início da manhã, de reuniões, entrevistas e agendas institucionais em Itumbiara, como a que incluiu audiência com o prefeito José Antônio (PTB), já no início da tarde. “Tenho acompanhado todo este movimento. E antecipo nosso apoio ao desenvolvimento, à geração de emprego e renda para todos em Goiás. Itumbiara é hoje a 7ª economia do estado e diversificou sua produção graças aos incentivos”, afirmou o prefeito à comitiva.

“Números que atestam o crescimento e o desenvolvimento de Goiás nos últimos anos mostram que a política de incentivos fiscais empregada até aqui foi acertada. Nos tornamos o 9º maior PIB e o 7º parque industrial do País. Mas, infelizmente, a situação geral hoje é de paralisação de investimentos”, disse o presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Otávio Lage Filho. A entidade é uma das coordenadoras do seminário. “Muitos empresários não querem investir em função do cenário atual, de indefinição desde o início do ano sobre a política de incentivos”.

Comissão

O cenário em Goiás também tem ficado desfavorável aos empresários e trabalhadores em função de uma Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada na Assembleia Legislativa. No último dia 15 foi aprovada, na Comissão de Constituição e Justiça da Casa a revogação de lei que concedia incentivos fiscais para indústrias do setor têxtil, como também crédito outorgado ao setor sucroalcooleiro. Paralelo a isto, grandes empresas goianas começam a migrar investimentos para estados vizinhos, como Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, atraídas por melhores condições de competitividade. É o caso, por exemplo, do Grupo Novo Mundo e da Caramuru, esta última com sede em Itumbiara.

“O momento é de união entre trabalhadores e empregadores. O governo quer aumentar impostos, e por tabela a arrecadação, e resolver os problemas do estado. Mas não é assim que vai acontecer. Agir desta forma implica na demissão de muitos profissionais. E a reação é em cadeia: diminui-se a renda per capita do trabalhador e de sua família, que vai comprar menos, e o comércio também sentirá o efeito desta medida”, desabafou o presidente Sindicato dos Metalúrgicos de Itumbiara, Flávio Henrique Caetano.

3º Seminário do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e Empregos – Goianésia – 17/10/2019

3º Seminário do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e Empregos

Pautas como o corte de incentivos fiscais, investimentos em pesquisa e tecnologia e a união de poder público, setor produtivo, trabalhadores e academia na busca de crescimento econômico de Goiás foram debatidos por mais de três horas na noite desta quinta-feira (17/10) em Goianésia, no Vale do São Patrício, durante o terceiro seminário do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos. O evento, no auditório da Faculdade Evangélica de Goianésia, reuniu mais de 200 pessoas entre empresários, trabalhadores, políticos, professores universitários e representantes de mais de 30 entidades da sociedade civil para formular propostas para o crescimento econômico e social do Estado. Confira neste breve vídeo um pouco do que aconteceu em Goianésia.

Trabalhadores manifestam preocupação com empregos durante seminário em Goianésia

Lideranças de sindicatos e federações de trabalhadores manifestaram ontem profunda preocupação com o cenário de cortes de vagas na indústria goiana durante a terceiro seminário do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos, realizado em Goianésia. “O empresário goiano, que gera empregos, está sendo tratado como bandido em Goiás”, denunciou Reginaldo José de Faria, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Anápolis (Sindimetana). Faria se refere à cruzada encampada pela Assembleia Legislativa contra os incentivos fiscais, mecanismo que tem como objetivo atrair mais investimentos para o Estado, gerando mais empregos e tornando as empresas mais competitivas nos mercados nacional e internacional.

“Lá em Anápolis a Caoa está transferindo seus investimentos para São Paulo e reduzindo a produção aqui. Tinham um projeto para gerar mais de 300 novos empregos em Anápolis, mas com o atual cenário, preferiram implantar na nova fábrica em São Paulo”, relatou o sindicalista. Presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Assalariados de Goiás (Fetaer-GO), José Maria disse que as bases estão inquietas com o fechamento de vagas e citou o setor sucroalcooleiro como um exemplo. “Boa parte das usinas goianas estão em situação delicada, por causa das políticas de preço do combustível, e ainda querem aumentar os impostos para o setor. Isto vai gerar a necessidade de se cortar ainda mais custos e vai sobrar para nós, trabalhadores”, disse.

O evento, que aconteceu no auditório da Faculdade Evangélica de Goianésia (Faceg), reuniu mais de 200 pessoas, entre autoridades políticas, lideranças empresariais e representantes de mais de 30 entidades dos setores empresarial, de trabalhadores, cultural, universidades e segmentos da sociedade civil para formular propostas para o crescimento econômico e social do Estado.

O deputado federal Francisco Júnior (PSD), representante de Goianésia na Câmara dos Deputados, considera injusto o governo dizer que o Estado deixa de ganhar com os incentivos. “Estão fazendo a conta errada. Estão confundindo investimento com gastos. A discussão tem que ser em cima de resultados. E a verdade é que Goiás deu um salto grande nos últimos anos, motivado pelos incentivos fiscais”, afirmou.

O presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial), Otávio Lage de Siqueira Filho, citou como exemplo Rio Verde e Anápolis, que tiveram a realidade econômica transformada a partir de incentivos fiscais. O empresário fez questão de afirmar que o movimento não é contra ninguém, é a favor de Goiás. “A gente quer ver o Estado crescendo, dando condições de emprego a essas pessoas”, afirmou Otávio Lage Filho, destacando que o ineditismo da união entre tantos segmentos em torno de uma única causa. “Estamos deixando a marca do diálogo”, ressaltou o presidente da Adial.

Reitor da UFG propõe estudo aprofundado sobre políticas de desenvolvimento 

Um dos palestrantes do seminário, o reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira – que é natural de Goianésia -, ofereceu à Assembleia Legislativa e ao governo do Estado a estrutura da Universidade para que as demandas econômicas e as políticas públicas sejam definidas por meio de estudos científicos.

“A universidade tem tudo a ver com isso. Podemos colocar nossos quadros para fazer um diagnóstico profundo, técnico, sobre os impactos das políticas de atração de investimentos e, a partir disto, ajudar o Estado a tomar as melhores decisões, sem ‘achismos’”, afirmou Edward, que também defendeu mais investimentos no fomento de pesquisas. “É preciso que o governo use a ciência e a tecnologia para gerar desenvolvimento”, sugeriu, apontando dados comparativos da Coreia do Sul e da China que afiançam que quanto mais o país investe em pesquisas, melhores são os resultados econômicos. Seus dados mostraram ainda que o Brasil investe de forma muito tímida e vem seguindo uma trajetória de redução nestes investimentos.

Diretor da Faculdade Evangélica de Goianésia, o sociólogo José Mateus dos Santos, em sua palestra, citou as faculdades de um modo geral como fomentadoras de oportunidades, qualificação e emprego. Ele afirmou que o Estado é rico em potencial, como fartura de água, solos férteis, mas os empreendedores enfrentam desafios hercúleos como carga tributária pesada, fragilidade no sistema elétrico, a infraestrutura ainda deixando a desejar e crises políticas, que emperram o desenvolvimento.

União de trabalhadores e empresários é enaltecida

Está sendo repetido como mantra nos seminários do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e Empregos – em Rio Verde, Anápolis e, por último, Goianésia -, que é preciso a união de forças entre todos os entes, inclusive o setor público, para que o Estado possa produzir boas notícias na área econômica a partir do próximo ano.

“Temos que salvar o nosso estado e isso só vai acontecer com essa mobilização dos empresários, dos empreendedores, dos sindicatos. Unir todos os segmentos e mostrar que é melhor ter um trabalhador que um pedinte. E para ter trabalhos é preciso que o Estado continue se desenvolvendo”, destacou o presidente da Câmara de Goianésia, vereador Múcio Santana.

Representante de Goianésia na Assembleia Legislativa, o deputado Helio de Sousa (PSDB) enalteceu a iniciativa de se buscar soluções em conjunto. “Parabenizo os empresários de Goiás, com a certeza que esse é o caminho que temos que seguir e que temos que buscar. E a Assembléia Legislativa não deixará de cumprir o seu papel e vai permitir que o Estado de Goiás saia dessa fase intermediária, que é um estado que está semi-industrializado, para ser um estado que tenha condições de industrializar toda sua matéria prima”, afirmou.

“Estamos vivendo algo inédito em Goiás: pela primeira vez patrões e trabalhadores deram as mãos por um só objetivo, que é produzir mais e termos um emprego para sustentar a nossa família”, salientou Reginaldo José de Farias, líder metalúrgico em Anápolis.

Fotos: deputado federal Francisco Jr., Reginaldo Faria, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Anápolis; Otávio Lage Filho, presidente da Adial Goiás; Edward Madureira, reitor da UFG

Bolsonaro assina MP de incentivo a regularização de dividas com a União; desconto chega a 70% para pessoa física e microempresa

MP do Contribuinte Legal regulamenta a transação tributária. Ministério da Economia estima que, na cobrança da dívida ativa, 1,9 milhão de devedores poderão regularizar débitos com a União.

 

 

 

 

 

 

 

O presidente Jair Bolsonaro falou com a imprensa pouco
antes de assinar a medida provisória da dívida de contribuintes com a União

O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta quarta-feira (16), em cerimonia no Palácio do Planalto, uma medida provisoria com regras para facilitar acordos entre a União e seus devedores, com o objetivo de quitar as dívidas.
No caso de cobrança de dívida ativa, o governo informou que a MP poderá auxiliar 1,9 milhão de devedores a regularizar seus débitos com a União, que superam R$ 1,4 trilhão. Uma das possibilidades é dar um desconto de até 50% sobre o total da dívida no caso de pessoa física e micro ou pequena empresa – esse percentual pode chegar a até 70% (veja detalhes abaixo).
Assinada em uma cerimônia no Palácio do Planalto, a medida é chamada pelo governo de MP do Contribuinte Legal.
O texto regulamenta a chamada “transação tributária”, prevista no Código Tributário Nacional como uma ferramenta para regularização de débitos com o governo. A negociação para regularizar as dívidas poderá ser feita pela União, autarquias e fundações.

De acordo com o Ministério da Economia, a transação tributária “representa uma alternativa” fiscal mais “justa” do que os sucessivos programas de refinanciamento de dívidas, os chamados refis, adotados ao longo dos anos por vários governos.

Os refis adotavam regras gerais, que valiam para grandes conjuntos de devedores. As negociações previstas pela nova MP serão feitas com grupos menores e, por isso, de acordo com o governo, as particularidades individuais serão levadas mais em conta.

Previsão de arrecadação
O governo informou que, “ao considerar uma estimativa conservadora”, a MP poderá alcançar arrecadação de cerca de R$ 15 bilhões ao longo de três anos.
R$ 5,5 bilhões em 2020
R$ 5 bilhões em 2021
R$ 4,4 bilhões em 2022

Formas de negociação
Em entrevista após a cerimônia, técnicos do governo explicaram que serão lançados editais ou portarias para que os
contribuintes tenham a possibilidade de fazer a transação tributária, mediante adesão ou proposta. Nos atos, serão
estabelecidas as condições e requisitos para o público-alvo da negociação.
De acordo com o Ministério da Economia, a negociação para o pagamento da dívida será aplicada em duas possibilidades:
Transações de cobrança da dívida ativa
Transações de litígio tributário

Dívida ativa
No caso de cobrança de dívida ativa, o governo informou que a MP poderá auxiliar 1,9 milhão de devedores a regularizar seus
débitos com a União, que superam R$ 1,4 trilhão.
De acordo com o Ministério da Economia, as negociações têm as seguintes possibilidades:
Desconto de até 50% sobre o total da dívida, percentual que pode aumentar para até 70% no caso de pessoa física e micro ou pequena empresa;
Pagamento em até 84 meses, que pode aumentar para cem meses nos casos de micro ou pequenas empresas;
Possibilidade de concessão de moratória, uma carência para o início dos pagamentos.
A negociação não inclui multas criminais ou decorrentes de fraudes fiscais.
Litígios tributários

No caso das transações de litígios tributários, o governo avalia que poderá encerrar “centenas de milhares de processos”, que
envolvem valor superior a R$ 600 bilhões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Cari), e R$ 40 bilhões garantidos por
seguro e caução.
Entre as regras para a transação, estão:
Edital poderá prever descontos e prazo de até 84 meses para pagamento
Envolve contencioso administrativo e judicial
A transação envolverá concessões recíprocas entre as partes
A transação não poderá contrariar decisão judicial definitiva e não autorizará a restituição de valores já pagos ou
compensados

‘Segunda chance’
Em discurso, Bolsonaro destacou as vantagens da MP. Na opinião do presidente, a medida “visa atender a quem produz” no
país. O presidente ainda destacou que as pessoas que desejam empreender perceberão que o Estado “está menos em cima”
dos cidadãos.
O presidente chamou a medida de “MP da segunda chance”. Ele afirmou que o governo deseja dar “uma segunda chance”,
assim como em relacionamentos amorosos, para pessoas que tenham dívidas.
O presidente afirmou que o governo não pode observar o empreendedor apenas como uma “fonte de renda”.
“Não podemos nós, Estado, olhar para o contribuinte e termos uma ideia de que all tem uma fonte de renda para nós”, disse.
Bolsonaro também disse no discurso que investidores recuperam a confiança no Brasil em razão do país deixar, “cada vez mais”
de ser “socialista”.
“Estão [os investidores] acreditando em nós. Isso vem de onde? Do restabelecimento da confiança, de cada vez mais nós
deixarmos de sermos socialistas na economia […]O Brasil não pode ser socialista na economia. É. Uma interferência enorme por
parte do Estado em cima de quem produz”, afirmou.

Baixar aqui o arquivo da MP do Contribuinte Legal

 

Fonte G1 Globo.com

Desemprego: trabalhadores criticam projeto da Assembleia

 

Pedro Luiz Viczmervski, presidente da Ftieg: “Além do desemprego, o Estado
sofrerá com a redução de arrecadação, pois grandes empresas estão sob risco de deixar Goiás”

Trabalhadores e entidades de classe reagiram com preocupação à decisão da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de aprovar a revogação integral dos incentivos fiscais para indústrias dos setores automotivo e têxtil, bem como crédito outorgado ao setor sucroalcooleiro, que constam no artigo 3° da Lei 13.246/98. O projeto aprovado é de autoria do deputado estadual Humberto Aidar (MDB), também relator da CPI dos Incentivos Fiscais, que justificou que o prazo para tais concessões era de 5 anos, entretanto, tem sido prorrogado sucessivamente por 20 anos.

“O trabalhador já está de luto”, reagiu o presidente da Força Sindical em Goiás, Rodrigo Alves Carvelo, ao ponderar que está ocorrendo um desmonte da indústria no Estado e muitas vão buscar outros Estados para realizarem seus investimentos. ”Em nossa atuação mais próxima aos empresários já é possível notar a falta de interesse em continuar aqui”, revela, ao citar a Mitsubishi, em Catalão. “A indústria já demitiu centenas de trabalhadores e continua a fazê-lo”.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Anápolis, Reginaldo José de Faria, disse acreditar que se a Assembleia Legislativa não rever a CPI e a decisão de revogar os incentivos fiscais ao setor, a Caoa Montadora (que produz carros das marcas Hyundai e Chery no Daia) vai demitir parte dos 1.560 trabalhadores e deixará de contratar mais de 300 pessoas e de fazer investimentos em outros produtos. “A indústria deverá sair levando tudo isso para Jacareí, em São Paulo”, prevê.

Para o presidente da Federação dos Trabalhadores da Indústria do Estado de Goiás (FTIEG), Pedro Luiz Viczmervski, este não é o momento certo para tratar de assunto tão complexo. “Além do desemprego, o Estado sofrerá com a redução de arrecadação, pois grandes empresas estão sob risco de deixar Goiás”, frisa. Pelas redes sociais, os sindicatos estão passando informações aos trabalhadores e aos cidadãos sobre as consequências danosas do fim dos incentivos fiscais no Estado, pois milhares já estão receosos com o desemprego e os efeitos dele.

 

Fonte: Empreender em Goiás

16 de outubro de 2019

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Goianésia recebe seminário para discutir desenvolvimento regional

Um dos principais polos industriais do Centro goiano, Goianésia recebe nesta quinta-feira (17) o terceiro seminário do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos. O movimento reuniu de forma inédita em Goiás mais de 30 entidades dos setores empresarial, de trabalhadores, cultural, universidades e segmentos da sociedade civil para formular propostas para o crescimento econômico e social do Estado. O evento, que é aberto ao público, será realizado no auditório da Faculdade Evangélica de Goianésia, na Avenida Brasil, esquina com Rua Santos Dumont, a partir das 18 horas, e contará com a presença de lideranças sindicais, do setor produtivo, do poder público e da academia.

A discussão em Goianésia se dará em torno de propostas para atrair mais investimentos para o município e para a região do Vale do São Patrício, as dificuldades estruturais e as oportunidades proporcionadas pelos investimentos em inovação das indústrias da região, além do papel da qualificação e dos incentivos fiscais para fomentar o crescimento econômico e a geração de empregos de qualidade. O Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos já realizou dois seminários, em Rio Verde e Anápolis. No primeiro, predominou o debate sobre propostas para a ampliação da agroindústria, melhoria da infraestrutura e a qualificação da mão de obra do Sudoeste goiano. No segundo, a necessidade de expansão dos distritos agroindustriais e o impulso logístico do município com a operação da ferrovia Norte-Sul.

A proposta do movimento é abordar nos seminários temas como inovação e tecnologia, meio ambiente, desburocratização, infraestrutura, crédito, incentivos fiscais, proteção social, mercado de trabalho e qualificação profissional, entre outros, com o objetivo de melhorar o ambiente de negócios e a competitividade do Estado. “Esse movimento é importante para que nós possamos avançar com propostas para ajudar Goiás nesse momento de dificuldades econômicas. Surgiu com a ideia de fazermos, junto com os trabalhadores, reuniões para que a gente pudesse ter melhores ideias, projetos, e levar ao governo para, aí sim, formatar algo que pudesse ajudar num plano de desenvolvimento”, afirma Otávio Lage Filho, presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial)

O movimento começou a ser formatado em maio, quando a Adial Goiás contratou pesquisas quantitativa e qualitativa para verificar os anseios dos goianos quanto à economia do Estado e a visão com relação aos incentivos fiscais. As pesquisas, realizadas nos municípios mais industrializados do Estado, captaram um apoio de mais de 90% da população à adoção de políticas públicas que levem ao crescimento econômico, por meio da industrialização, incremento do comércio e do setor de serviços. O levantamento do Instituto Fortiori captou também uma preocupação muito grande da população com a estagnação econômica e o aumento do desemprego nos municípios.

“Estamos neste movimento porque ele é pró, a favor de uma causa. Não é contra ninguém. Nós precisamos deste tipo de ação neste momento de superação de crise. E as entidades envolvidas têm muita credibilidade e capacidade de contribuir com o Estado”, afirma Edward Madureira, reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG). “Temos uma grande oportunidade de somar forças para mostrar, inclusive, o potencial do Estado de Goiás para o restante do País, a qualificação do nosso pessoal e de participar da discussão de políticas governamentais que têm este intento”, diz Sandro Jadir, vice-presidente nacional da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB).

O Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos contará com seminários em cinco municípios que são pólos econômicos regionais. Além de Rio Verde, Anápolis e Goianésia, Catalão e Itumbiara também vão receber as rodadas de discussões. O movimento será encerrado com um grande evento em Goiânia, em novembro, onde será fechada a carta de propostas para o Estado.

ENTIDADES QUE INTEGRAM O MOVIMENTO EM DEFESA DO DESENVOLVIMENTO E DOS EMPREGOS:

Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg); Associação Pró-Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial Goiás); Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio); Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg); Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Estado de Goiás (Facieg); Associação Pró-Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial); Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg); Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB-GO); Federação dos Trabalhadores Rurais Empregados Assalariados de Goiás (Fetaer-GO); Federação dos Trabalhadores das Indústrias nos Estados de Goiás, Tocantins e DF (Ftieg); Federação dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação de Goiás (Ftiag); Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB); Força Sindical Goiás; Sindicato dos Policiais Federais em Goiás (Sinpef – GO); Federação das Entidades Sindicais dos Servidores Públicos Municipais do Estado de Goiás (FESSPUMG); Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo do Estado de Goiás (Sindipetros); Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) ; Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB); Fórum dos Trabalhadores de Goiás; Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL);Federação dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral de Goiás, Bahia e Tocantins (Fetramag); Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL); Confederação Nacional dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral e Logística (Conamm); Universidade Federal de Goiás (UFG); Instituto Federal de Goiás (IFG); Instituto Federal Goiano (IFGoiano); Cia. de Dança Quasar.

2• Seminário do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e Empregos – Anápolis – 07/10/2019.

O segundo Seminário do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e Empregos foi notícia em Anápolis, movimentou empresários, trabalhadores e universidade.
Confira no vídeo o que rolou no seminário:

Trabalhadores defendem união com setor produtivo

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Anápolis (Sindimetana), Reginaldo José de Faria, foi claro em relação à participação dos trabalhadores no Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos, que também conta com o setor produtivo: a necessidade real de se proteger os empregos em Goiás. A entidade que ele preside tem cerca de 9 mil filiados na cidade, distribuídos em 474 empresas, com um terço desse contingente trabalhando no Daia. “Um distrito que a gente vê vários terrenos vazios”, disse o sindicalista. Para ele, parte dos problemas está na insegurança jurídica criada a partir da redução de incentivos fiscais.

Reginaldo deu a dimensão dos prejuízos para a sociedade com a saída de uma empresa do porte da Caoa Hyundai de Anápolis. “São 1,5 mil empregos. Somente de vale-refeição, por ano, são colocados R$ 12 milhões no mercado”. Ele disse ainda que o anapolino gosta de trabalhar, mas se o governo não rever algumas situações, o sonho de muita gente deixará de existir. “Que possamos dar as mãos nessa caminhada”.

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria nos Estados de Goiás, Tocantins e Distrito Federal (Ftieg), Pedro Luiz Vicznevski, fez coro à importância dos incentivos fiscais e questionou a necessidade da “caça as bruxas” promovida pela CPI na Assembleia. Segundo ele, as leis de incentivo já possuem dispositivos para identificação daqueles que sonegam. O movimento em prol dos empregos, continuou Vicznevski, é um passo importante para a sociedade goiana. “Porque é o trabalho que dá dignidade à pessoa”.

Movimento soma mais forças em Anápolis

O Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos ampliou sua força ao passar por Anápolis, principal polo industrial de Goiás, berço de entidades tradicionais, lideranças classistas reconhecidas e um centro universitário de alcance nacional. Por cerca de quatro horas, na noite de segunda-feira (07/10), o seminário realizado no auditório do Senai reafirmou a importância da união de mais de 30 entidades para formular propostas visando o crescimento econômico e social de Goiás. Foi apresentada em Anápolis a proposta de transformar o Movimento em um fórum permanente.

O presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias de Goiás (Facieg), Ubiratan Lopes, frisou o ineditismo de empregadores e empregados darem as mãos por uma causa. “É porque queremos o desenvolvimento”, disse o empresário anapolino, que também preside o Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae Goiás.

Para o presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), Marcelo Baiocchi, esse é o caminho para que sejam impedidos os retrocessos na economia estadual. Essa proposta de um movimento que vai além dos seminários já programados nas principais cidades goianas também foi defendido pelo presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Rubens Fileti.

O presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Otávio Lage de Siqueira Filho, deixou claro que o movimento foi criado a partir de uma pauta única, defendida pelo setor produtivo e pelos trabalhadores, de retomada do crescimento goiano. “Estamos apresentando propostas a favor, colhendo ideias e sugestões, que em breve repassaremos ao governo para que ele possa avaliar como alternativas para as políticas públicas na área econômica”, explicou Otávio Lage.

Esse diálogo do movimento com o poder público estadual também foi defendido pelo presidente do Fórum Empresarial de Anápolis, Anastacios Apostolos Dagios. “Queremos ajudar, esse é um evento de apoio, pois entendemos que quando o governo vai bem, toda a sociedade vai bem”, comentou. Para o prefeito de Anápolis, Roberto Naves (sem partido), o seminário chega em boa hora, quando o debate sobre empresas e empregos é fundamental para o futuro de Goiás. “O setor produtivo precisa estar em boas condições financeiras e ninguém questiona isso”.

O seminário em Anápolis também abriu a possibilidade de uma audiência pública na Assembleia Legislativa para amplificar as pautas do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos. O deputado estadual Coronel Adailton (PP) disse que basta uma sinalização positiva das entidades para que ele apresente um requerimento propondo a reunião. Também esteve presente no evento outro representante da cidade na Assembleia, deputado estadual Amilton Filho (SD).

Participaram ainda dois ex-titulares da Secretaria de Indústria e Comércio de Goiás, Luiz Medeiros e Francisco Pontes, ambos empresários em Anápolis. O Sindicato Rural de Anápolis foi representado pelo seu vice-presidente, José Caixeta, ex-presidente da Câmara Municipal. O empresário Edson Tavares, acionista do Porto Seco Centro-Oeste, hipotecou apoio ao movimento. O mesmo foi feito pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Município de Anápolis (Sittra), Adair Rodrigues.

Mais instituições de ensino superior aderem

Mais representantes da comunidade acadêmica demonstraram interesse em fazer parte do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos. O professor Marcelo Moreira, da Universidade Estadual de Goiás (UEG), levou alunos do curso de Economia para o seminário, colocando o núcleo de pesquisas da faculdade à disposição das entidades, com o objetivo de ajudar em uma análise do impacto dos incentivos fiscais para Goiás.

“Esse evento foi uma grande aula para os estudantes. Desenvolvimento econômico requer densidade, que envolve coesão social, lideranças e conhecimento crítico da realidade. Foi isso que observamos aqui nessa noite”, comentou o professor. O pró-reitor do Instituto Federal de Goiás (IFG), Daniel Silva Barbosa, também colocou a instituição à disposição do movimento de empresários e trabalhadores. “Estamos à deriva de um projeto que vai na contramão do que lutamos. Por isso devemos ombrear forças”.

Presente em Anápolis, o reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira, lembrou que essa aproximação da academia com o setor produtivo é um movimento que ganhou força nos últimos anos, e que só o fortalecimento dos dois setores implicará em avanços para a sociedade. Madureira fez uma defesa das pesquisas científicas e projetos de extensão das instituições de ensino superior, como meios de a indústria alcançar avanços, e frisou a importância da UFG nesse contexto. São 30 mil estudantes na graduação em Goiás e outros 5 mil em cursos de mestrado e doutorado, produzindo teses que vão impactar positivamente na sociedade.

Incentivos e infraestrutura são fundamentais para Goiás, defendem lideranças

O município de Anápolis é o melhor exemplo da importância dos incentivos fiscais e de uma boa infraestrutura para a industrialização de uma região do Estado. Criado na década de 1970, o distrito agroindustrial (Daia) só experimentou crescimento a partir de 1984, com o Fomentar, e só se transformou em um polo que hoje emprega 20,5 mil pessoas com o Produzir, a partir dos anos 2000.

Com este exemplo, lideranças empresariais e dos trabalhadores de mais de 30 entidades enfatizaram na noite de segunda-feira (07/10) no segundo seminário do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos, realizado em Anápolis, a importância de políticas de atração de investimentos e de uma boa infraestrutura para o Estado alavancar sua economia. Por cerca de quatro horas, o seminário realizado no auditório do Senai reafirmou a importância da união do setor produtivo, dos trabalhadores e do meio acadêmico para formular propostas visando o crescimento econômico e social de Goiás.

Presidente da Facieg, Ubiratan Lopes lembrou que mesmo com uma das melhores infraestruturas do Brasil, o Daia teve apenas cinco indústrias por longo período porque não havia uma política pública de atração de novos empreendimentos. O presidente da Regional Anápolis da Fieg, Wilson Oliveira, narrou os passos para que o distrito anapolino fosse o local escolhido pela Caoa para instalar sua montadora de veículos Hyundai e, mais recentemente, Chery. Ter uma lei de incentivo semelhante à da Bahia, concorrente direta na época, foi fundamental.

O polo farmoquímico do Daia, que hoje produz 40% dos medicamentos consumidos no Brasil, também nasceu dos incentivos fiscais, mas sem eles corre sério risco de migrar para outras regiões do País, alertou o presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de Goiás (Sindifargo), Marçal Henrique Soares. “Como o investidor pode ter um planejamento se estão alterando as regras do jogo?”, criticou, se referindo à retirada de incentivos fiscais por parte do atual governo e a ampliação do Protege para 15%, além de cortes no crédito outorgado.

O prefeito Roberto Naves ressaltou que as entidades empresariais e representantes dos trabalhadores agem certo ao discutir as políticas para o setor. “Mostra que queremos um modelo mais viável, mais sólido, que atenda todas as indústrias. Devemos discutir não o que pode ser mantido, mas o que pode ser ampliado”, frisou. O advogado Sóstenes Arruda afirmou que Anápolis pode perder a oportunidade de ampliar seu parque industrial com empresas da área de defesa se não cuidar dos incentivos fiscais e da sua infraestrutura.

Membro do Comitê da Indústria de Defesa e Segurança de Goiás (Comdefesa-GO), Sóstenes frisou que é preciso concluir o aeroporto da cidade, o tornando multifuncional e não apenas de carga, além de dar prosseguimento na plataforma logística multimodal. E nesses dois projetos é preciso reservar espaço para empresas do setor aeroespacial. Enfatizou ainda que o incremento na infraestrutura deixaria Anápolis mais atraente, já que ela apresenta algumas características importantes, como sua localização – 85% do PIB nacional está ao alcance de um raio de 1,2 mil km da cidade.

Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos – Anápolis Goiás

Anápolis é talvez o melhor exemplo em Goiás do quanto políticas consistentes de atração de investimentos podem melhorar a vida de uma comunidade. Maior polo industrial do Estado, a cidade saiu da estagnação econômica que viveu num passado recente para se tornar um dos motores da economia goiana. O sucesso absoluto do 2º seminário do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos, realizado nesta segunda-feira no município, deve-se ao consenso entre empresários, trabalhadores, pesquisadores e setor público de que é preciso unir forças para que trajetórias de desenvolvimento como a de Anápolis não sofram retrocessos e se multipliquem por todo Estado.