Serra Verde anuncia obras de mina em Minaçu

A exploração de terras raras no município começa até o início de 2022 e deve gerar cerca de 7 mil empregos na fase de implantação e 2 mil na operação, entre diretos e indiretos.

Depois de se tornar conhecido pela produção de amianto, o município de Minaçu vai iniciar a exploração de terras raras até o início de 2022. A Mineração Serra Verde anunciou que as obras para a instalação da futura mina devem começar ainda este ano, depois que forem feitas adequações necessárias para garantir a segurança dos trabalhadores contra a proliferação do coronavírus. A expectativa é que sejam gerados cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos durante as obras para construção da futura mina e outras 2 mil ocupações diretas e indiretas na sua operação.

A futura mina de onde será extraído o carboneto de terras raras fica a 28 quilômetros a noroeste de Minaçu. Seu projeto foi desenvolvido em parceria com o Centro de Tecnologia Mineral de Goiás. O vice-presidente executivo da Mineração Serra Verde,
Luciano de Freitas Borges, explica que material semelhante só é produzido no Sul da China, que utiliza sulfeto de amônia no processo de extração, com alto risco de contaminação do solo. Já em Minaçu, será utilizado sal de cozinha, que minimiza muito o impacto ambiental e os custos. A futura mina tem potencial para produzir 7 mil toneladas anuais do minério, o equivalente a 5% da demanda mundial.

Luciano explica que o minério goiano é diferente do tradicionalmente explorado no mundo, que gera resíduos radioativos e ácidos. “Aqui, é a chamada argila iônica, que aprisiona íons de terras raras em sua superfície. A qualidade do nosso minério é tão boa ou melhor que a chinesa”, destaca. Além disso, o projeto da Serra Verde tem um perfil privilegiado em relação à concentração de materiais de mais alto valor agregado.“Todos testes tecnológicos mostraram que o produto é de excelente qualidade e foi bem aceito pelas indústrias de preparação.”

Atualmente, a China detém 85% da produção mundial de terras raras, um composto de 17 elementos químicos utilizados na indústria de ponta com várias aplicações, como produção de ímãs de alta potência, usados na geração de energia limpa, como turbinas
eólicas e carros elétricos, catalisadores na indústria de petróleo e equipamentos médicos. As indústrias asiáticas também realizam praticamente toda a separação dos elementos de terras raras do mundo. O vice-presidente da Serra Verde lembra que a pesquisa mineral começou em 2009 e o longo processo de obtenção de licenças foi concluído no último dia 21 de maio, com a emissão da autorização de supressão da vegetação no local onde a empresa será instalada. O próximo passo, segundo o vice-presidente da Serra Verde, será lançar, em julho, as licitações para a contratação da empresa que fará as obras.

A estimativa é que a construção comece em agosto, depois de algumas adequações nos alojamentos instalados em Minaçu para garantir a segurança dos funcionários contra o coronavírus. “Se houver algum atraso neste processo e o período chuvoso começar, o início das obras pode ser adiado para 2021, levando em conta as restrições de saúde no momento”, ressalta. A expectativa é que a construção leve cerca de 18 meses. Luciano lembra que o plano inicial era iniciar a produção ainda em 2021, o que não foi possível por causa do atraso na liberação das licenças exigidas.

Empregos

Agora, tudo indica que a mina só comece a operar em 2022. Durante a fase de
construção, serão gerados entre 1,6 mil e 1,8 mil empregos diretos e entre 5 e 7 mil indiretos. Já para a fase de operações, a empresa contratará 400 funcionários diretamente e até 1,5 mil indiretos no município e região. Atualmente, a empresa diz
que já emprega cerca de 100 pessoas na construção do complexo de alojamentos. O executivo da Serra Verde afirma que do ponto de vista de receitas fiscais, a extração de terras raras deve ter valor equivalente à produção de amianto para o município.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas e Beneficiamento de Minaçu, Adelman Araújo Filho, lembra que era grande a expectativa em torno da liberação de todas as licenças que a empresas precisava para iniciar as obras da mina. Depois que cerca de 300 trabalhadores da Sama Minerações foram
desligados, os trabalhadores da região ganham mais uma opção.

Hoje, apenas 80 funcionários continuam trabalhando na produção do amianto que havia sido extraído da mina antes da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu o uso e comercialização da fibra no mercado interno. “Sabemos que a Serra
Verde não será como a Sama de antes, mas ajudará muito a cidade. Muitos trabalhadores que precisaram sair da cidade poderão voltar”, prevê

“O minério que sai de Minaçu vai voltar a gerar emprego, renda e, consequentemente, qualidade de vida à população local. Com todo respeito ao meio ambiente, garantindo aos cidadãos o acesso ao emprego, que é o maior programa social do mundo”, afirmou o governador Ronaldo Caiado.

Fonte: Jornal O Popular

 

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