Trabalhadores defendem união com setor produtivo

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Anápolis (Sindimetana), Reginaldo José de Faria, foi claro em relação à participação dos trabalhadores no Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos, que também conta com o setor produtivo: a necessidade real de se proteger os empregos em Goiás. A entidade que ele preside tem cerca de 9 mil filiados na cidade, distribuídos em 474 empresas, com um terço desse contingente trabalhando no Daia. “Um distrito que a gente vê vários terrenos vazios”, disse o sindicalista. Para ele, parte dos problemas está na insegurança jurídica criada a partir da redução de incentivos fiscais.

Reginaldo deu a dimensão dos prejuízos para a sociedade com a saída de uma empresa do porte da Caoa Hyundai de Anápolis. “São 1,5 mil empregos. Somente de vale-refeição, por ano, são colocados R$ 12 milhões no mercado”. Ele disse ainda que o anapolino gosta de trabalhar, mas se o governo não rever algumas situações, o sonho de muita gente deixará de existir. “Que possamos dar as mãos nessa caminhada”.

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria nos Estados de Goiás, Tocantins e Distrito Federal (Ftieg), Pedro Luiz Vicznevski, fez coro à importância dos incentivos fiscais e questionou a necessidade da “caça as bruxas” promovida pela CPI na Assembleia. Segundo ele, as leis de incentivo já possuem dispositivos para identificação daqueles que sonegam. O movimento em prol dos empregos, continuou Vicznevski, é um passo importante para a sociedade goiana. “Porque é o trabalho que dá dignidade à pessoa”.

Movimento soma mais forças em Anápolis

O Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos ampliou sua força ao passar por Anápolis, principal polo industrial de Goiás, berço de entidades tradicionais, lideranças classistas reconhecidas e um centro universitário de alcance nacional. Por cerca de quatro horas, na noite de segunda-feira (07/10), o seminário realizado no auditório do Senai reafirmou a importância da união de mais de 30 entidades para formular propostas visando o crescimento econômico e social de Goiás. Foi apresentada em Anápolis a proposta de transformar o Movimento em um fórum permanente.

O presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias de Goiás (Facieg), Ubiratan Lopes, frisou o ineditismo de empregadores e empregados darem as mãos por uma causa. “É porque queremos o desenvolvimento”, disse o empresário anapolino, que também preside o Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae Goiás.

Para o presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), Marcelo Baiocchi, esse é o caminho para que sejam impedidos os retrocessos na economia estadual. Essa proposta de um movimento que vai além dos seminários já programados nas principais cidades goianas também foi defendido pelo presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Rubens Fileti.

O presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Otávio Lage de Siqueira Filho, deixou claro que o movimento foi criado a partir de uma pauta única, defendida pelo setor produtivo e pelos trabalhadores, de retomada do crescimento goiano. “Estamos apresentando propostas a favor, colhendo ideias e sugestões, que em breve repassaremos ao governo para que ele possa avaliar como alternativas para as políticas públicas na área econômica”, explicou Otávio Lage.

Esse diálogo do movimento com o poder público estadual também foi defendido pelo presidente do Fórum Empresarial de Anápolis, Anastacios Apostolos Dagios. “Queremos ajudar, esse é um evento de apoio, pois entendemos que quando o governo vai bem, toda a sociedade vai bem”, comentou. Para o prefeito de Anápolis, Roberto Naves (sem partido), o seminário chega em boa hora, quando o debate sobre empresas e empregos é fundamental para o futuro de Goiás. “O setor produtivo precisa estar em boas condições financeiras e ninguém questiona isso”.

O seminário em Anápolis também abriu a possibilidade de uma audiência pública na Assembleia Legislativa para amplificar as pautas do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos. O deputado estadual Coronel Adailton (PP) disse que basta uma sinalização positiva das entidades para que ele apresente um requerimento propondo a reunião. Também esteve presente no evento outro representante da cidade na Assembleia, deputado estadual Amilton Filho (SD).

Participaram ainda dois ex-titulares da Secretaria de Indústria e Comércio de Goiás, Luiz Medeiros e Francisco Pontes, ambos empresários em Anápolis. O Sindicato Rural de Anápolis foi representado pelo seu vice-presidente, José Caixeta, ex-presidente da Câmara Municipal. O empresário Edson Tavares, acionista do Porto Seco Centro-Oeste, hipotecou apoio ao movimento. O mesmo foi feito pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Município de Anápolis (Sittra), Adair Rodrigues.

Mais instituições de ensino superior aderem

Mais representantes da comunidade acadêmica demonstraram interesse em fazer parte do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos. O professor Marcelo Moreira, da Universidade Estadual de Goiás (UEG), levou alunos do curso de Economia para o seminário, colocando o núcleo de pesquisas da faculdade à disposição das entidades, com o objetivo de ajudar em uma análise do impacto dos incentivos fiscais para Goiás.

“Esse evento foi uma grande aula para os estudantes. Desenvolvimento econômico requer densidade, que envolve coesão social, lideranças e conhecimento crítico da realidade. Foi isso que observamos aqui nessa noite”, comentou o professor. O pró-reitor do Instituto Federal de Goiás (IFG), Daniel Silva Barbosa, também colocou a instituição à disposição do movimento de empresários e trabalhadores. “Estamos à deriva de um projeto que vai na contramão do que lutamos. Por isso devemos ombrear forças”.

Presente em Anápolis, o reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira, lembrou que essa aproximação da academia com o setor produtivo é um movimento que ganhou força nos últimos anos, e que só o fortalecimento dos dois setores implicará em avanços para a sociedade. Madureira fez uma defesa das pesquisas científicas e projetos de extensão das instituições de ensino superior, como meios de a indústria alcançar avanços, e frisou a importância da UFG nesse contexto. São 30 mil estudantes na graduação em Goiás e outros 5 mil em cursos de mestrado e doutorado, produzindo teses que vão impactar positivamente na sociedade.

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