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Conexões do Cerrado estreia novo episódio com Otávio Lage Filho e Tchequinho no Globo Rural e Valor Econômico

há 11 minutos
5 min de leitura

Diretor-presidente da Jalles e presidente da ADIAL discutem produtividade, bioenergia e novos caminhos para a competitividade da indústria goiana


Como transformar tecnologia, produtividade e sustentabilidade em vantagens competitivas para a indústria goiana? Essa é a discussão central do segundo episódio do videocast Conexões do Cerrado, que reúne Otávio Lage Filho, diretor-presidente da Jalles, e Edwal Portilho, o Tchequinho, presidente da Adial – Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás. Conduzida pela jornalista Renata Maron, a entrevista aborda os desafios para ampliar mercados, reduzir custos e sustentar o crescimento das empresas diante das mudanças no ambiente de negócios


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O debate tem como pano de fundo a dimensão alcançada pela agroindústria goiana. Na safra 2025/26, Goiás registrou produção de 80,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e ocupou a segunda posição no ranking nacional, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado pelo Governo de Goiás. No mesmo ciclo, o estado produziu 4,5 bilhões de litros de etanol de cana, equivalentes a 16,7% do volume brasileiro.


Tchequinho: competitividade além dos incentivos fiscais


Para Tchequinho, a continuidade desse desenvolvimento exige fortalecer condições estruturais de competitividade. Durante a entrevista, o dirigente aponta logística, infraestrutura, sanidade, rastreabilidade e acesso a financiamento como prioridades para as empresas instaladas em Goiás. “Nós estamos buscando outras maneiras, com logística competitiva, sanidade, rastreabilidade e infraestrutura, tentando mitigar esses impactos”, afirma, ao abordar as mudanças relacionadas aos incentivos fiscais.


A preocupação está relacionada ao calendário da reforma tributária. Conforme a Receita Federal, a substituição gradual do ICMS e do ISS pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) ocorrerá entre 2029 e 2032. A extinção dos dois tributos está prevista para 2033, quando o novo modelo entrará integralmente em vigor.


Na avaliação do presidente da Adial, a preparação deve começar antes da conclusão dessa transição. Ele explica que a entidade trabalha na identificação dos gargalos de cada cadeia produtiva, na redução de entraves burocráticos e na busca por alternativas de financiamento que permitam ampliar a produtividade e aproveitar as boas práticas já adotadas pelas empresas.


Otávio Lage Filho: tecnologia para produzir mais na mesma área

A experiência da Jalles exemplifica como investimentos em tecnologia e manejo podem ampliar o rendimento agrícola. Otávio destaca a combinação de irrigação, correção do solo, variedades e práticas agronômicas adaptadas às condições do Cerrado. Na conversa, relata que uma área específica sob irrigação superou 180 toneladas de cana por hectare — resultado pontual, distinto da média das três unidades da companhia. “Usando a tecnologia, usando os recursos adequados, nós conseguimos fazer muito mais na mesma área”, afirma.


Os indicadores estaduais também mostram avanços no rendimento das lavouras. Na série de dez anos analisada pelo boletim Agro em Dados de maio de 2026, da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), a produtividade da cana cresceu 10,7% no estado, ante 3,5% no Brasil. No mesmo intervalo, a produção goiana avançou 18,5%, enquanto a nacional aumentou 2,4%.


Tchequinho conecta essa discussão à reservação de água no período chuvoso e à irrigação durante a estação seca. Na avaliação do dirigente, o aproveitamento dessas condições permite elevar a produção em áreas já cultivadas, fortalecer o abastecimento das agroindústrias e gerar emprego e renda sem depender da abertura de novas áreas.


Escala, expansão e acesso a mercados

Otávio também detalha como os recursos captados na abertura de capital foram direcionados à expansão da Jalles. Segundo o executivo, a aquisição da unidade de Santa Vitória, em Minas Gerais, e a ampliação das operações em Goiás elevaram a capacidade de moagem da companhia a 9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Os investimentos em produtividade integram a estratégia para alcançar o processamento desse volume nos próximos anos.


No mercado internacional, a aposta no açúcar orgânico surgiu da necessidade de agregar valor à produção e reduzir o peso relativo do transporte, diante da distância dos portos. Conforme relata Otávio, o produto é comercializado no Brasil e em 21 países. As certificações e auditorias, explica, são parte da preparação para atender às exigências dos compradores e conquistar novos mercados.


Essa inserção internacional também aparece nos números da cadeia goiana. Segundo a Seapa, o complexo sucroalcooleiro do estado alcançou 58 destinos internacionais em 2025, com embarques de açúcar para 55 países e de álcool etílico para dez mercados. O açúcar respondeu por 91,7% do valor exportado pelo segmento naquele ano.


Tchequinho: bioinsumos abrem novas oportunidades

O avanço dos bioinsumos é outro tema destacado pelo presidente da Adial. Tchequinho relata que a entidade tem aproximado empresas do segmento de oportunidades de crescimento, profissionalização e acesso ao mercado. “Com certeza enxergaremos um Brasil daqui a alguns anos com um volume de agricultura regenerativa tropical bastante expressivo”, afirma.


Os dados do setor ajudam a dimensionar essa expansão. De acordo com a CropLife Brasil, o mercado brasileiro de bioinsumos superou R$ 6,2 bilhões em 2025, crescimento de 15% em relação ao ano anterior. O levantamento acompanha segmentos como inoculantes, bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas, utilizados em diferentes etapas do manejo agrícola.


Governança e valorização das pessoas

Na discussão sobre gestão, Otávio destaca que a preparação da Jalles para o mercado de capitais foi construída ao longo do tempo, com auditorias, divulgação de balanços, qualificação das equipes e relacionamento com instituições financeiras. Para o executivo, a profissionalização contribuiu para a credibilidade necessária à expansão da companhia. “Tudo acontece quando você tem boas pessoas no seu dia a dia fazendo parte do negócio”, afirma.


Na dimensão social, ele relata a criação de uma escola inicialmente voltada aos filhos de funcionários e posteriormente aberta à comunidade. Segundo informa na entrevista, a instituição atende 500 alunos.


Transição energética exige pesquisa e custos competitivos

O episódio também aborda as oportunidades dos combustíveis avançados. Para Otávio, a ampliação dessas soluções depende de pesquisa, desenvolvimento, investimentos e medidas que contribuam para reduzir os custos das novas tecnologias. O executivo destaca o potencial do etanol nessa transformação, mas pondera que a viabilidade econômica precisa acompanhar o avanço tecnológico.


Os números da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que essa transição ocorre em ritmos diferentes. Segundo o Balanço Energético Nacional 2026, com dados de 2025, as fontes renováveis representaram 86,8% da matriz elétrica brasileira. No consumo de energia dos transportes, porém, a participação foi de 26,1%, evidenciando a presença ainda predominante de fontes não renováveis nesse setor.


Tchequinho complementa o debate ao defender atenção ao custo da energia e aos demais componentes que afetam a produção industrial. “É necessário, antes até de estimular a produção em si, olhar para essa questão dos custos, porque senão a gente não participa do mercado internacional”, afirma.


A pressão tarifária aparece também no acompanhamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Na edição de setembro do boletim InfoTarifas, a agência projetou elevação média de 9,4% nas tarifas de energia elétrica em 2026, acima da inflação esperada naquele levantamento. Trata-se de uma projeção nacional, não de um reajuste específico para Goiás ou para a Jalles, mas que contextualiza a preocupação com os custos discutida no episódio.


Redação Adial

 
 
 

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