Goiás leva ao Rio de Janeiro debate sobre o agro além da produção rural
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Em Campos dos Goytacazes, entidade do centro-oeste participa de fórum que discute crédito, pesquisa, integração público-privada e caminhos para transformar vocações regionais em desenvolvimento

O avanço do agronegócio brasileiro passa, cada vez mais, por crédito, infraestrutura, tecnologia, logística, pesquisa, energia, indústria, regularização fundiária e capacidade de articulação entre poder público e iniciativa privada. É essa visão de cadeia econômica integrada que a Adial - Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás levará ao Interior AgroCoop 2026, no Rio de Janeiro.
O evento será realizado entre os dias 2 e 4 de julho, na Usina do Queimado, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, região historicamente associada à produção rural e que busca reposicionar sua economia a partir do cooperativismo, da inovação e de novas frentes produtivas. A programação reunirá gestores públicos, produtores, entidades de classe, pesquisadores, representantes de empresas e instituições ligadas ao desenvolvimento regional.
A Adial será representada pelo presidente-executivo Edwal Portilho, o Tchequinho, no painel “Agronegócio fomenta o PIB brasileiro: crédito rural, integração público-privada, pesquisa e iniciativas plantando sementes do crescimento econômico”, marcado para o dia 3 de julho, às 9h. O debate abre a programação técnica do segundo dia e propõe uma reflexão sobre como o agro pode ampliar sua contribuição para a economia nacional quando conectado a políticas estruturantes e a modelos de cooperação mais eficientes.
A presença de uma entidade goiana em um fórum fluminense também evidencia um movimento mais amplo: o desenvolvimento do interior brasileiro deixou de ser uma pauta local para se tornar uma discussão estratégica nacional. Estados com perfis produtivos distintos enfrentam problemas semelhantes, como gargalos logísticos, custo de financiamento, necessidade de segurança jurídica, pressão por inovação, adaptação climática e disputa por mercados cada vez mais exigentes.
Para Tchequinho, o desafio é superar a visão fragmentada sobre o setor produtivo. “O agro não termina na fazenda. Ele movimenta transporte, armazenagem, indústria de alimentos, embalagens, energia, tecnologia, comércio exterior, serviços especializados e pesquisa. Quando uma região entende essa conexão, ela deixa de discutir apenas produção e passa a discutir desenvolvimento econômico”, afirma.
A leitura defendida pela ADIAL parte da experiência de Goiás, onde a expansão do agro nos últimos anos impulsionou cadeias industriais, operações logísticas, polos de processamento, geração de energia, serviços e novas demandas tecnológicas. Na avaliação da entidade, o crescimento regional depende menos de ações isoladas e mais da construção de ecossistemas produtivos, com previsibilidade regulatória, infraestrutura adequada e aproximação entre empresas, governos, universidades e instituições financeiras.
“Não existe desenvolvimento regional consistente sem coordenação. Crédito rural, pesquisa, logística e indústria precisam conversar. O produtor rural é protagonista, mas ele não consegue carregar sozinho uma agenda que depende de estradas, armazenagem, conectividade, energia, segurança jurídica e acesso a mercado”, diz Tchequinho.
A programação do Interior AgroCoop reforça essa abordagem ao tratar de temas como regularização fundiária, cooperativismo, economia verde, agricultura familiar, logística de escoamento, turismo rural, agricultura 4.0, pecuária de corte e bacia leiteira. A diversidade dos painéis indica que o debate sobre o campo brasileiro ganhou novas camadas e passou a envolver também inovação, governança, financiamento, sustentabilidade e ordenamento territorial.
No caso do Norte Fluminense, a discussão tem peso adicional. A região, que já teve forte protagonismo econômico ligado à cana-de-açúcar e à indústria sucroenergética, busca novas alternativas para ampliar competitividade, atrair investimentos e gerar renda. Nesse contexto, o cooperativismo e a articulação regional aparecem como caminhos para organizar pequenos, médios e grandes produtores em torno de uma agenda comum.
Para a ADIAL, a experiência de Goiás pode contribuir justamente por mostrar como o fortalecimento do agro tende a gerar efeitos em cascata quando há ambiente produtivo mais integrado. O ponto central, segundo Tchequinho, é evitar que o debate fique restrito ao aumento de produção. “Produzir mais é importante, mas não basta. O que transforma uma região é a capacidade de agregar valor, industrializar, escoar melhor, acessar crédito, incorporar tecnologia e criar oportunidades para diferentes elos da cadeia”, afirma.
O Interior AgroCoop 2026 é promovido pelo Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense (CIDENNF), com apoio de instituições públicas e entidades ligadas ao setor produtivo. A proposta é estimular a troca de experiências entre diferentes regiões e construir alternativas para fortalecer o agronegócio fluminense, o cooperativismo, a inovação rural e o desenvolvimento do interior.
A participação da Adial no encontro também reforça uma tendência entre entidades empresariais: a necessidade de atuar além da defesa setorial tradicional, contribuindo para debates sobre competitividade, qualificação de políticas públicas e integração econômica entre regiões. “O interior brasileiro é uma potência produtiva, mas ainda precisa ser tratado como prioridade estratégica. A agenda passa por infraestrutura, crédito, inovação, segurança jurídica e capacidade de transformar vocações locais em cadeias econômicas fortes”, conclui Tchequinho.





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